Voluntário quer “unzinho”

Dono de imóvel usado como “casa de Campos e Marina” afirma que cedeu imóvel em troca de dinheiro

iG Minas Gerais |

Escola. Eduardo Campos, não estava presente quando dono do imóvel falou sobre dinheiro
Divulgacao / PSB
Escola. Eduardo Campos, não estava presente quando dono do imóvel falou sobre dinheiro

São Paulo. A inauguração de um comitê voluntário da campanha de Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República nesta segunda se tornou um constrangimento para Marina Silva, vice na chapa. Proprietário da casa que abrigou a estrutura em Osasco, na Grande São Paulo, Edivaldo Manoel Sevino indicou que houve promessa de pagamento em dinheiro em troca do apoio político, o que foi negado pela ex-senadora.  

Durante gravação feita pela equipe de Marina, que deveria ser usada nos sites e redes sociais da campanha, Edivaldo foi questionado por um dos assessores da ex-senadora sobre o que foi dito para convencê-lo a fazer de sua residência uma chamada “casa de Eduardo e Marina”. “Pode falar?”, perguntou. Encorajado, disparou: “Me prometeram unzinho”. E sorriu, completando a frase com um gesto com a mão que indicava a expectativa de receber dinheiro.

Defensora do engajamento político espontâneo e das casas “autorais”, Marina pareceu atônita ao ser informada por Nilson Oliveira, seu assessor de imprensa, sobre a declaração de Edivaldo. “Isso é muito grave”, afirmou antes de entrar no carro e seguir para o próximo compromisso.

Questionada momentos depois por jornalistas sobre a repercussão da filmagem, Marina afirmou que desconhecia o fato, argumentando que a gravação tinha sido feita, inclusive, pela sua equipe de campanha. “Não trabalho dessa forma, nunca fizemos esse tipo de coisa e isso nem pode, de acordo com a lei”, disse Marina.

Segundo a ex-senadora, se houver qualquer expectativa de recebimento de dinheiro, “essa é um expectativa frustrada”. “Não tem a possibilidade de isso ter acolhimento da nossa campanha”, concluiu. A ex-senadora pediu a sua assessoria que apure se realmente houve alguma promessa de dinheiro para Edivaldo receber o comitê voluntário.

Escola integral. Eduardo Campos afirmou que a correção dos rumos da política econômica somada a programas sociais “transformadores” é o caminho para reduzir as desigualdades sociais no país. Ele voltou a criticar o baixo crescimento econômico, a alta inflação e a subida recente da taxa básica de juros. Citou entre os programas “transformadores” o aumento do investimento em saúde e a educação em tempo integral, que promete universalizar em quatro anos.

“Essas são as políticas públicas que libertam efetivamente”, disse Campos, ao lado de Marina na inauguração do comitê voluntário.

As chamadas “casas de Eduardo e Marina” são espaços que a campanha chama de “autorais”, em que cidadãos comuns abrem suas residências e envolvem-se voluntariamente com atividades da campanha presidencial da dupla.

Evasivo

Denúncias. O candidato Eduardo Campos evitou temas polêmicos como as denúncias envolvendo o aeroporto em Cláudio (Minas Gerais) e familiares do presidenciável tucano Aécio Neves.

Sigla organiza agenda conjunta para Campos e Alckmin em SP São Paulo. Com o aceno público feito pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) de que poderá fazer eventos de campanha ao lado do presidenciável Eduardo Campos, o PSB paulista começou a articular para os meses de agosto e setembro agendas conjuntas entre os dois candidatos. A sigla, aliada do PSDB na eleição estadual, já programa eventos de campanha em Campinas e em São José do Rio Preto, as duas maiores cidades paulistas administradas pelo PSB.

A articulação tem como objetivo pressionar a campanha do governador a abrir também espaço para Campos na agenda do tucano, cujos quatro eventos públicos realizados até agora foram ao lado do presidenciável do PSDB, o senador Aécio Neves (MG). “O governador, desde o primeiro momento, mostrou-se disposto a participar da campanha e é natural os dois estarem juntos em um evento em São Paulo”, defendeu o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB). Os eventos estão sendo articulados para depois do início do horário eleitoral gratuito, em 15 de agosto.

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