Instrumental de alto nível

MIMO terá 46 atrações e será realizado pela primeira vez na cidade histórica de Tiradentes, além de Ouro Preto

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

2013. O músico Carlos Malta se apresentou no Convento de São Bento, em Olinda, interagindo com o público em local inusitado
Beto Figueroa/divulgação
2013. O músico Carlos Malta se apresentou no Convento de São Bento, em Olinda, interagindo com o público em local inusitado

Uma das maiores referências para a música instrumental brasileira e estrangeira, o festival MIMO parece ter encontrado em Minas Gerais um casamento perfeito. Depois de incluir Ouro Preto no roteiro, que conta com Olinda e Paraty, a 11ª edição do festival abraça a histórica Tiradentes. Assim, entre 29 de agosto e 12 de outubro, mais de 46 apresentações estão programadas para as quatro cidades-sede do festival. Entre elas, nomes como Jorge Mautner, Hamilton de Holanda, João Donato e o filho de Charles Chaplin, o pianista suíço Christopher Chaplin.

“A verdade é que Minas cai como uma luva no MIMO. Tiradentes ia entrar no ano passado, mas, como Paraty também era inédita, preferimos esperar. A vontade que tenho é fazer um MIMO só mineiro, com Diamantina, São João Del Rey e tantas outras belezas na programação”, diz Lu Araújo, idealizadora e diretora-geral do festival.

Com duas cidades mineiras no roteiro, o MIMO fará sua abertura em Ouro Preto, com show acústico de Toninho Horta, acompanhado da Orquestra Fantasma, na Basílica do Pilar, às 20h. Logo em seguida, o lendário pianista de jazz Chik Corea, que tocou ao lado de Sarah Vaughan e Miles Davis, apresenta um show inédito no Brasil com a banda The Vigil, às 22h30, na Praça Tiradentes.

A cidade de Ouro Preto ainda terá o trio francês Wieder-Atherton, Bruno Fontaine e Laurent Kraif interpretando repertório da cantora Nina Simone, além de outro show inédito com a Orquestra Câmara CHAARTS. Formada por músicos de diferentes nacionalidades, entre japoneses, americanos, suíços e alemães, o coletivo interpreta obras barrocas mineiras e peças contemporâneas. “É a única orquestra dedicada à música jovem, com linguagem inovadora no mundo”, diz Lu Araújo.

Em Tiradentes, a estreia do MIMO também promete nomes de peso. Uma das principais atrações é o duo formado pelo alemão Hans-Joachim Roedelius, pioneiro da música eletrônica popular contemporânea, e o suíço Christopher Chaplin, pianista filho de Charles Chaplin. No show, eles mostram o resultado do encontro inusitado entre suas influências, registrado no álbum “King of Hearts”, lançado em 2012.

Além disso, Tiradentes recebe uma das principais atrações brasileiras do MIMO. Com o show “Donato Elétrico”, João Donato sobe ao palco ao lado do Bixiga 70, com repertório que mistura o jazz do pianista às pegadas elétricas de funk e soul da banda.

NOVOS TALENTOS. Com público esperado de 100 mil pessoas em todas as quatro cidades-sede, o festival também vai revelar pela primeira vez novos talentos da música instrumental brasileira. Ao todo, 346 projetos musicais foram inscritos no MIMO Instrumental Novos Talentos, mas apenas quatro foram selecionados para se apresentar em shows na cidade de Ouro Preto, no próximo dia 12 de setembro, como parte do festival.

Após mais de um mês de análise, os músicos Charles Gavin, ex-baterista dos Titãs, e Fernando Souza, programador da Casa da Música em Portugal, além do jornalista Marcelo Monteiro, escolheram os vencedores.

“A organização do festival não quis interferir nos selecionados, que foram de vários estilos, desde o jazz até o rock n’ roll pauleira mesmo. Nossa intenção é revelar novos talentos para próximas edições do MIMO”, explica Lu Araújo.

CAPITAIS. Apesar de prezar por cidades históricas que possam ceder teatros, museus e praças públicas para shows de música instrumental, a 11ª edição do MIMO vai levar, em caráter inédito, parte da programação do festival para as capitais Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Nas duas cidades, a Orquestra Câmara CHAARTS e o guitarrista Custódio Matos, maior referência do moderno fado português, fazem shows intimistas. Na capital mineira, as apresentações vão acontecer na Igreja São José. “A intenção é que, nos próximos anos, o MIMO também possa se expandir para outras capitais, sem perder o caráter histórico; ao contrário, explorando nas capitais brasileiras esse caráter interiorano”, diz Lu Araújo.

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