Chuva sertaneja de prêmios

Pernambuco se reafirma como polo criativo do cinema nacional com grande vitória de “A História da Eternidade”

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Melhor filme. Diretor pernambucano Camilo Cavalcante recebe prêmio por ‘A História da Eternidade’
Paulínia Film Fetsival/divulgação
Melhor filme. Diretor pernambucano Camilo Cavalcante recebe prêmio por ‘A História da Eternidade’

PAULÍNIA. Uma seleção de longas acima da média se fez sentir na premiação do 6º Paulínia Film Festival, no domingo. Sete dos nove longas em competição saíram premiados do Theatro Municipal Paulo Gracindo. Os dois maiores vencedores foram o pernambucano “A História da Eternidade”, que levou cinco Meninas de Ouro, incluindo melhor filme segundo os júris do festival e da crítica; e o carioca “Casa Grande”, com quatro prêmios.

“É um filme sobre amor, feito com amor e que encontrou amor no público deste festival”, disse, emocionado, o diretor Camilo Cavalcante, ao receber o grande prêmio da noite por “A História da Eternidade”. Com uma fotografia inspirada em Caravaggio, o longa de estreia do cineasta apresenta um sertão nunca antes visto no cinema brasileiro – escuro, soturno, com mais escuridão do que luz e cenas filmadas primordialmente à noite, à luz de velas. Lá, três histórias de amor e arte tecem um romance gótico narrado sob o ponto de vista das protagonistas femininas. Uma espécie de “Onde as Fracas não Têm Vez”.

Não por acaso, as três atrizes que as interpretam – Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Débora Ingrid – dividiram justamente o prêmio de melhor atriz, desbancando as favoritas Fernanda Montenegro, Deborah Secco e Luciana Paes. “É uma alegria do tamanho do mar de Alfonsina”, celebrou Ingrid, jovem cearense que faz sua estreia no cinema com o longa pernambucano.

O júri deu o prêmio de melhor ator ao grande Irandhir Santos, numa performance que literalmente faz chover no sertão. O pernambucano – que protagonizou em “A História da Eternidade” a cena mais bonita do festival e uma das mais bonitas da história do cinema brasileiro, ao som de Secos & Molhados – não pôde receber o prêmio devido às gravações da novela “Meu Pedacinho de Chão”.

Cavalcante, por sua vez, ficou com a Menina de Ouro de melhor diretor. “Agradeço ao elenco, porque só sou diretor porque tive elenco, história e produção”, afirmou ao receber a estatueta.

Já o também estreante Fellipe Barbosa, diretor do excelente “Casa Grande” – um parente direto de “O Som ao Redor”, que analisa a falência de uma família de classe alta na Barra da Tijuca, no Rio, sob o olhar do filho adolescente – levou os prêmios especial do júri e o de melhor roteiro. “Descobri um outro filme com o público daqui, que não é o que eu escrevi. Fico muito feliz porque não posso viver sem escrever”, afirmou o jovem cineasta, que se inspirou na história da própria família para criar o roteiro.

“Casa Grande” ainda rendeu estatuetas de melhor atriz e ator coadjuvantes para a estreante Clarissa Pinheiro – que subverte o papel da empregada doméstica no filme – e para um irreconhecível Marcello Novaes, como um magnata em negação sobre sua decadência.

Além dos dois longas, “Sangue Azul”, de Lírio Ferreira, levou os prêmios de melhor fotografia e figurino. Já “Boa Sorte”, de Carolina Jabor, foi eleito melhor filme segundo o público e melhor direção de arte. Com um prêmio cada, o gaúcho “Castanha” (melhor som), o paulista “Sinfonia da Necrópole” (melhor trilha) e o documentário “Aprendi a Jogar com Você” (melhor montagem) fecharam a premiação.

O jornalista viajou a convite do festival

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