TSE manda retirar do ar anúncio que indicava ações

A campanha estava sendo veiculada na internet por meio de anúncios no Google e orientava os clientes sobre quais ações investir em caso de vitória de determinado candidato

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A pedido da campanha da presidente Dilma, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) obrigou a consultoria econômica Empiricus Research a retirar do ar uma campanha publicitária relacionada com as eleições de outubro.

A campanha estava sendo veiculada na internet por meio de anúncios no Google e orientava os clientes sobre quais ações investir em caso de vitória de determinado candidato.

Dois anúncios se tornaram populares na web: "Como se proteger da Dilma, saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição de Dilma" e "E se Aécio Neves ganhar? Que ações devem subir se Aécio ganhar a eleição".

A Empiricus é conhecida no mercado por seus textos polêmicos e por análises com boa dose de humor. A empresa chegou a ser processada por análises feitas sobre o frigorífico Marfrig.

FORA DO AR

A coligação de Dilma entrou na sexta-feira como uma representação junto ao TSE acusando a Empiricus, o Google e a coligação de Aécio Neves de fazer propaganda eleitoral antecipada. No domingo à noite, o ministro Admar Gonzaga concedeu uma liminar favorável, obrigando a Empiricus a retira a campanha do ar. A consultoria não informou se vai recorrer da decisão.

"Somos uma consultoria econômica independente. Temos o direito de fazer análise sobre o impacto das eleições na bolsa de valores. Se não pudermos fazer agora, quando faremos? Quando não for mais relevante?", disse à reportagem Rodolfo Amstalden, um dos sócios fundadores da Empiricus.

Na representação entregue ao TSE, a coligação de Dilma defende que "o conteúdo da campanha ultrapassa qualquer limite da liberdade de informação, chegando a incitar um certo terrorismo no mercado financeiro".

Segundo Amstalden, não há qualquer relação entre a consultoria e o candidato Aécio Neves. Ele reforça ainda que o mercado tem reagido as pesquisas eleitorais e que as ações estão subindo quando a oposição avança.

A consultoria informa que também produziu anúncios sobre o que ocorreria com as ações se Dilma ou Eduardo Campos ganhassem as eleições, mas que não fizeram sucesso junto aos internautas.

Para o coordenador jurídico da campanha do PT, Flávio Caetano, "a Empiricus tem se utilizado de posts patrocinados do Google para divulgar conteúdo propagandístico favorável a Aécio e desfavorável a Dilma, o que juridicamente reprovável".

SANTANDER

Esse é o segundo caso polêmico envolvendo as eleições presidenciais e as consultorias econômicas. Na semana passada, o banco Santander enviou uma análise a seus clientes indicando que as ações poderiam cair em caso de vitória de Dilma.

A coligação da presidente também criticou a nota como "terrorismo eleitoral". O banco espanhol se desculpou e demitiu os autores dos informe. Para analistas, o Santander estava apenas informando seus clientes dos movimentos do mercado.

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