Jeito alemão de fazer futebol

Após 14 anos, gestão de ensino e de revisão de conceitos da Alemanha atinge a glória com o tetra

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Glória. Dos 23 jogadores do grupo campeão, apenas o veterano Klose não fez parte do processo de reestruturação do futebol do país
douglas magno
Glória. Dos 23 jogadores do grupo campeão, apenas o veterano Klose não fez parte do processo de reestruturação do futebol do país

A Alemanha é o que é hoje porque planejou, executou e, agora, dá aula de futebol para o mundo. Como um verdadeiro doutorado – defendido ao longo dos últimos 14 anos –, foi preciso muita disciplina e persistência diante dos primeiros reveses. Mas quando Philipp Lahm ergueu a taça no Maracanã, no último dia 13, pronto. A tese, enfim, estava provada.

Não só conceitos renovados de futebol foram colocados em prática dentro de campo. Fora dele, os gestores aliaram esporte e educação para investir na garimpagem de novos talentos e na capacitação de treinadores. Além disso, os germânicos implantaram regras severas para exigir a profissionalização de clubes e suas ligas (veja ao lado as principais ações).

Não era uma matemática exata, mas o programa não deixou de ser uma ciência: os alemães estavam certos de que os resultados viriam (e vieram). Dentro das quatro linhas, a eficiência ficou comprovada nos números do conjunto campeão de 2014. Dos 23 convocados, apenas o veterano Klose não passou pelo novo sistema de categorias de base. De todo o grupo, 16 jogam no fortalecido futebol do país.

“O segredo da Alemanha para ser campeã foi praticar um excelente futebol, baseado no jogo eficiente de clubes como o Bayern de Munique e o Borussia Dortmund. Tivemos um ótimo planejamento”, resumiu o técnico Joachim Löw, que herdou o trabalho de Jürgen Klinsmann, após a Copa de 2006, e ficará no cargo até a Eurocopa de 2016.

Lapidados. Autor do gol do título na final contra a Argentina, Mario Götze, 22, é um dos exemplos da reestruturação. Quando garoto, iniciou a carreira em um pequeno clube no sul do país, mas logo foi descoberto por olheiros do Borussia Dortmund, que o contratou por nove anos. Na equipe de ponta, o atacante passou a seguir os novos padrões estabelecidos, que destina metade da preparação para técnica e metade para o condicionamento físico.

Aos 15 anos, Götze já tinha sido convocado para as categorias de base da seleção. Ele passaria também pelos times sub-16, sub-17 e sub-21, até chegar à equipe principal. Desde 2009, Götze defende as cores do Bayern de Munique.

Estudos. Se no Brasil os garotos costumam aprender futebol pelas ruas ou em escolinhas, na Alemanha, as noções de chute, passe e drible são aprendidas na escola. Nascidos em Gelsenkirchen, casa do Schalke 04, o goleiro Neuer e o meia Özil estudaram bem ao lado do estádio do time, na escola Berger Feld. É assim por todo a Alemanha.

Sempre no topo

Classificações recentes.

Copa 2006. s3ª colocada

Euro 2008. sVice-campeã

Copa 2010. s3ª colocada

Euro 2012. s3ª colocada

Copa 2014. sCampeã

Para sempre será

Bem antes. “Parece que o mundo descobriu a Alemanha agora. Mas ela sempre foi organizada, teve planejamento. A Alemanha sempre deu importância para o esporte em geral”, lembrou Dunga, novo técnico da seleção brasileira.

Para depois. O zagueiro Boateng já pensa na Eurocopa, em 2016. “A Espanha é exemplo de que, depois de um título mundial, é possível ganhar um europeu. A nossa seleção está bem e tem sede de títulos”, garante.

Precoce

Artilheiro. Com dez gols em Copas do Mundo e apenas 24 anos, o atacante Müller é apontado como forte candidato a superar o companheiro Klose, o maior artilheiro de Mundiais, com 16.

Grandiosidade

R$ 2,23 bi foram gastos na reformulação do futebol alemão em 14 anos R$ 10 mi por ano investe o Bayern de Munique em sua base

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