“O Brasil precisa de uma mudança, de uma revolução”

Zé Maria - Candidato à Presidência da República pelo PSTU

iG Minas Gerais |

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Em visita a Minas Gerais, ele fala de suas propostas de campanha, fundamentadas em alterações profundas do sistema, como a suspensão do pagamento de dívidas, a estatização de empresas e de propriedades de terra voltadas para o agronegócio.

Como será a campanha do PSTU? Nós lançamos uma candidatura nacional e vamos fazer uma campanha no país inteiro que tende a apresentar o projeto que o partido defende, uma alternativa para a situação do país. Há um crescimento do descontentamento da sociedade que passa a se expressar. E nós achamos que devemos apresentar uma alternativa para essas pessoas.

Qual é essa alternativa? Nós queremos apresentar uma alternativa, um modelo de política pública completamente distinto do que se tem. Reverter recursos para políticas públicas sociais que são necessárias à população, estatizar o sistema financeiro, o patrimônio público que foi entregue e setores que são fundamentais para o desenvolvimento do país – mineração, telecomunicações, produção e distribuição de energia e coisas que são fundamentais para o país. Hoje, os setores chaves estão todos nas mãos de empresas internacionais e multinacionais. Isso não funciona para o Brasil, funciona para o interesse deles. Então, isso tem que ser trazido de volta para o controle do Estado.

O que mais além da estatização?

Mudanças mais profundas, como tirar a terra do controle do agronegócio. Precisamos de outro modelo de estrutura de sociedade, um modelo que coloque de fato a classe trabalhadora em primeiro lugar. Há duas outras dimensões do programa e que são fundamentais que têm a ver não com condições materiais, mas, sim, com condições de vida. Tratar de forma adequada as opressões que existem na sociedade. Enfrentar o problema das grandes desigualdades. Queremos enfrentar o problema do racismo, da violência contra as mulheres, da homofobia.

Quais seriam suas propostas do ponto de vista social?

Um princípio básico que é garantir que as pessoas tenham condições de viver com dignidade, tenham emprego digno, moradia digna – coisas que não são respeitadas. Essas coisas que têm que ser públicas. O transporte tem que ser público. Ele está entregue às grandes empresas que prestam péssimos serviços e cobram muito caro. Então, aquilo que está escrito na Constituição sobre o direito da população tem que ser respeitado. O Estado tem que prover isso. Você tem que destinar recursos para isso. Pesquisas e estudos já comprovaram que, com 10% do PIB, você consegue prover isso. Problemas relacionados à educação, à saúde, você resolve. Mas tem que destinar recursos para esses setores. E de onde se tira recursos? Por exemplo, suspendendo o pagamento das dívidas interna e externa. Precisamos de creches, escolas, um sistema de saúde de fato universal. São políticas que implicam mais investimentos. É todo um conjunto que implica em mudanças na estrutura política e na forma de encarar as necessidades da população.

Mas como fazer essas mudanças políticas tão profundas?

Quem pode fazer isso são justamente os trabalhadores. Nós somos a maioria da população. Se somos democracia, somos o governo da maioria. Nós é que produzimos a riqueza desse país com nosso trabalho. Nós é que fazemos o país funcionar, com nosso trabalho. Por que é que não podemos governar? Nós temos condições de governar. O sistema político hoje está a serviço das pessoas que estão lá e das empresas que financiam a campanha para eles chegarem lá. Nós podemos mudar isso, nosso sistema de governo vai servir à classe trabalhadora.

O senhor acredita numa mudança do sistema via as urnas?

Nós achamos que a mudança vai vir da mobilização dos trabalhadores pela luta, pelas ruas. O Brasil precisa de uma mudança, de uma revolução. Não é possível que o povo tenha que trabalhar a vida interna para eleger meia dúzia de banqueiros. Não é possível que nosso povo tenha que permanecer condenado a um regime que é quase de escravidão. Uma revolução é para isso, para que as pessoas possam usufruir da riqueza que produzem com seu trabalho. Para que a gente não tenha mais que ver crianças passando fome, dormindo na calçada.

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