Ajuda põe PT e PMDB em crise

Sem aval do partido, presidente do Senado, Renan Calheiros, negociou repasse de R$ 35 milhões

iG Minas Gerais |

Eduardo Campos tem tentado explicar denúncias de propina
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Eduardo Campos tem tentado explicar denúncias de propina

Brasília. Negociação envolvendo o repasse oficial de recursos financeiros do PT para o PMDB abriu uma crise entre os dois partidos, os maiores da coligação pela reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

Sem aval do comando peemedebista, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), costurou o recebimento de uma ajuda de campanha de R$ 35 milhões.

O PT, que arrecadaria o valor por meio de doações legais de empresas, repassaria a quantia a cinco candidatos do PMDB a governos estaduais em Rondônia, Amazonas, Paraíba, Pará e Alagoas – onde Renan Filho é o nome do partido na disputa. Em quatro desses Estados o candidato peemedebista tem o apoio oficial do PT (a exceção é em Rondônia).

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), foi informado da exclusão da maioria do partido no repasse e exigiu que fosse feita uma distribuição igualitária para todos os candidatos da sigla.

Segundo relatos ouvidos pela reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”, a negociação com Renan foi acertada com Aloizio Mercadante (PT), ministro da Casa Civil. Por meio de sua assessoria, o ministro negou que tenha tratado do assunto com Renan ou com “qualquer liderança do PMDB”: “A Casa Civil não trata das finanças de campanhas, sendo esse um tema exclusivo dos partidos”.

O mal-estar no PMDB chegou aos ouvidos de assessores de Dilma. Congressistas afirmam que o imbróglio foi o principal motivo da volta de Temer à presidência do partido. Porém, a equipe de Temer nega, alegando que ele voltou ao comando do PMDB para estar à frente da interlocução política na campanha.

Pelo desenho acordado entre PT e PMDB, seriam repassados cerca de R$ 8 milhões para Alagoas, Paraíba, Amazonas e Pará. Rondônia, Estado do então presidente do partido, Valdir Raupp, ficaria com R$ 3 milhões. “Eles acharam que ninguém ficaria sabendo. Tem que ser socializado”, ironizou um cacique do PMDB.

A cúpula do partido quer contemplar, entre outros, os candidatos ao governo de Goiás, Iris Rezende, do Ceará, Eunício Oliveira, e do Rio Grande do Norte, Henrique Eduardo Alves. Nenhum deles é apoiado pelo PT.

Petistas negam a articulação, mas afirmam que há pressão de aliados –como PMDB, PR e PP – para ajuda nos Estados. Um peemedebista da cúpula da legenda explica, sob a condição do anonimato, a “dependência” da doação intermediada pelo PT: segundo ele, o empresário doa com mais facilidade “para quem manda”.

Auxiliares do comitê presidencial afirmam que a ordem é ajudar, mas só depois que conseguirem resolver a campanha nacional. Além disso, a orientação é “endurecer” com partidos que possuem ministérios, como o PMDB, já que, na avaliação petista, os titulares das pastas têm interlocução com o empresariado.

Privilegiados

Herdeiro. Um dos atendidos pelo acordo de distribuição dos R$ 35 milhões seria Renan Filho, herdeiro do presidente do Senado, e candidato ao governo de Alagoas, que ficaria com R$ 8 milhões.

R$ 8 milhões. Assim como Renan Filho, o senador Vital do Rêgo, candidato ao governo da Paraíba, Eduardo Braga, que tenta o governo do Amazonas e Helder Barbalho, filho do senador Jader Barbalho, e disputa o governo do Pará, também receberiam R$ 8 milhões de repasses petistas, conforme o acordo.

R$ 3 milhões. A menor parte do bolo seria destinada a Confúcio Moura, candidato ao governo de Rondônia, que seria beneficiado com R$ 3 milhões.

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