Membros chegam a acumular postos em três companhias

iG Minas Gerais |

O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Matias-Pereira lamenta que os membros dos conselhos tenham perfil político. Ele afirma que, nas empresas privadas, os conselheiros acompanham de perto o desempenho financeiro e os interesses das companhias. No universo público, diz ele, não há essa preocupação e o mesmo envolvimento.

“Nas empresas privadas os conselheiros costumam ser acionistas e, por isso, estão mais próximos, têm interesse direto e preocupação com a gestão da empresa. É comum ter embates nas reuniões do setor privado. Eles sabem que, se algo der errado, é o dinheiro deles que vai para o ralo”, afirma o professor, que atua na área de administração pública.

A relação dos conselheiros exemplifica a dificuldade de acompanhar o dia a dia da empresa. Em Minas, um mesmo conselheiro chega a ocupar o posto em três estatais e ainda atua como secretário de Estado. Há outro caso de um deputado mineiro, que como parlamentar recebe salário de R$ 20 mil e divide o tempo entre a Assembleia Legislativa e o cargo em uma estatal. Pelo extra, são pelo menos mais R$ 7.000. “É certo que não são onipresentes”, diz o especialista.

O professor de finanças do Ibmec Eduardo Coutinho lembra que o conselho administrativo tem a função de atender os interesses do maior acionista, que, no caso das empresas públicas, é o Estado. “As escolhas são políticas nessa lógica. O ideal seria que as pessoas tivessem minimamente condições técnicas”. (TT)

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