Uma eleição mais ou menos

iG Minas Gerais |

A última semana mexeu com as cabeças e com os números das campanhas presidenciais em todo país. O alinhamento que se construiu nacionalmente pelas oposições para fuzilar a presidente Dilma Rousseff mudou de lugar na trincheira e se ocupou da função de explicar a denúncia feita pela “Folha de S. Paulo” sobre a construção do aeródromo em Cláudio e as suspeitas sobre grilagem de terras em Montezuma, no Norte de Minas. Ambos os fatos foram usados para atacar Aécio Neves, e foi deles que também se ocupou o presidenciável e sua equipe, justificando o acerto das decisões, sempre na tentativa de se manter preservada a autoridade do PSDB como partido preocupado com a lisura no trato da coisa pública. Impressionante como um fato pontual, destampado numa pequena cidade do Sul de Minas, foi capaz de desestabilizar um exército inteiro como o armado para eleger presidente da República o senador Aécio Neves. Os institutos de pesquisa foram movimentados, e faturaram alto com suas medições para indicar o tamanho do estrago. No Nordeste, no Rio de Janeiro, na Bahia, no Paraná, ex-assessores, ex-esposas, ex-amigos, ex-cúmplices de negociatas esperam na fila com seus registros, vídeos e gravações para torná-los públicos e assim balançar a reputação de candidatos e líderes apoiadores de alto coturno dos atuais presidenciáveis.  É o que aconteceu no fim de semana com a ex-mulher de um também ex-secretário da Prefeitura do Rio, Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ), acusado através de gravações telefônicas e vídeos de se apropriar fartamente de recursos auferidos de ONGs criadas para fraudar o erário. ONGs de fachada, como são a maioria dessas que atuam no Brasil e que os governos alimentam diligentemente com seus recursos.  Também em Brasília, o ministro da Secretaria dos Portos, o baiano César Borges (PR-BA), denunciou deputados do PR, especializados em saquear construtoras eleitas em “licitações” para construir obras públicas. No caso, é denunciante uma construtora mineira, Pavotec, cujo dono alega não ter mais paz com o assédio insistente do grupo liderado pelo deputado baiano João Carlos Bacelar (PR-BA). “Esse Djalma é um picareta. Nós colocamos a empresa dele na Vale (que é estatal). Ele ficou de passar uma parte do que faturou (mais de R$ 1 bilhão) de volta e não cumpriu”, foi a explicação do deputado, cara de pau ao extremo. Nós quem, deputado? Superfaturamentos, propinas, corrupção, viadutos caindo, denúncias comprovadas por vídeos, gravações e documentos, tudo tecnicamente avaliado, e a vida acontecendo à margem. Antes era a Sininho e seu exército de imbecis e marginais. Passaram ou estão em cana. Depois veio o cipoal de negociatas na Petrobras, ainda em efervescência. A Copa acabou e não serviu como termômetro para ninguém. Graças a Deus. Agora temos essa enxurrada permanente de suspeitas e denúncias. E vai se agravar. Mais uma vez no país vamos votar no (a) menos pior, no (a) menos desastroso (a), no (a) menos corrupto (a). No (a) que mais ou menos utilizar bem seus minutos de televisão. Tudo mais ou menos. De certo, só a mais absoluta falta de propostas, de uma agenda confiável de reformas e de um projeto nacional para o Brasil que, naquilo que é importante para a nação e sua história, seguirá sendo menos.

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