Teatro pelo interior de Minas

Grupo faz projeto buscando promover encontros com artistas locais por meio de espetáculos e oficinas gratuitos

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Cômico. Palhaço Bilu é escolhido para animar a plateia em um pequeno e tradicional circo
AGÊNCIA NITRO/DIVULGAÇÃO
Cômico. Palhaço Bilu é escolhido para animar a plateia em um pequeno e tradicional circo

É sabido que nas cidades grandes se produz e se aprecia mais a arte. Além disso, por elas circula mais dinheiro, o que alavanca mais produções. Ao partir para o interior para levar suas experiências, espetáculos e oficinas, os artistas correm um risco real de cair numa postura colonizadora, etnocêntrica, de “detentores do conhecimento”. O projeto Armatrux em Cena, do Grupo de teatro Armatrux, pelo contrário, tenta mobilizar e promover o encontro de artistas em cinco cidades do interior do Estado. São elas: Contagem, Itaúna, Itatiaiuçu, Santos Dumont e Bela Vista de Minas.

“Muitas vezes, os artistas não (re)conhecem seus pares dentro da própria cidade. Além disso, nossa presença é uma demonstração de que nós trabalhamos com teatro como profissão. As pessoas pensam que os artistas profissionais são apenas aqueles da televisão”, afirma Paula Manata, atriz e integrante do Armatrux.

O projeto prevê apresentações dos espetáculos “Armatrux, a Banda” e “Bilu e Falidous Circus” e cinco oficinas formativas: “Oficina de Bonecos”, “Oficina O Ator, o Objeto e a Cena”, “Oficina Técnica em Montagem”, “Oficina de Produção” e “Oficina Formas de Financiamento e Elaboração de Projetos”.

“São projetos de continuidade, de formação. Fizemos um primeiro contato antes da Copa e agora estamos retomando. Em algumas cidades, nossas idas se estendem por quatro semanas; em outras, menos. A ideia é mostrar parte dos bonecos produzidos e até algum resultado das oficinas, mas o principal objetivo é estabelecer esse contato e ajudar na cena local. As apresentações dos nossos espetáculos servirão para fechar um ciclo, para finalizar esse processo”, ressalta Paula.

Espetáculos.Armatrux, a Banda” é um show musical feito por bonecos. A ideia de ter números musicais é recorrente na história da companhia, que tem 23 anos de vida, e começou lá atrás, com “Os Românticos”. “Eu tinha um vizinho que precisava gravar um videoclipe, mas não tinha grana para produzi-lo. Eu disse a ele que a gente topava fazer as filmagens e em troca ele gravaria nossa trilha sonora”, relembra a atriz. O clipe no caso era para a música “Let Me Try It Again” e o vizinho, Samuel Rosa, do Skank. “Toda a parte de circo, palhaços é feita por nós”, se diverte.

Em “A Banda”, o grupo estabeleceu novamente uma parceira com um nome de peso da música mineira: John Ulhôa, do Pato Fu, é responsável pela direção musical e assina a trilha com Bob Faria. Além deles, os bonecos foram desenhados pelo quadrinista Conrado Almada.

Apesar de ter mais de 10 anos de vida, a peça segue sendo apresentada e, recentemente, encontrou mais motivos para tal. “Nós tínhamos um palco gigantesco que dava um trabalho enorme para transportar e montar. Ano passado, fizemos um palco menor e tudo ficou mais fácil. Nós temos nos apresentado mais e há quem diga que ficou melhor assim, mais próximo do público”, comemora a atriz.

Outro espetáculo da turnê que começa hoje em Itatiaiuçu é “Bilu e Falidous Circus”, número de palhaço de Eduardo Machado. A palhaçaria é algo, inclusive, que os integrantes do Armatrux pesquisam há bastante tempo. “Ator é ator e palhaço é palhaço, são coisas diferentes. É outra linguagem, outro investimento. O circo tem crescido muito e hoje vejo que ele tem mais força que nos anos 1980, por exemplo”, analisa a atriz Paula Manata.

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