Obsoletas discussões

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Dunga falou que a maioria das seleções na Copa marcou atrás, para contra-atacar, como se dissesse: “A seleção, comigo, jogou assim”. Ele não falou que as marcas principais da Alemanha e da Espanha, os dois últimos campeões, e dos melhores times do mundo são a troca de passes e o futebol compacto, coisas que as seleções dirigidas por ele e por Felipão não fizeram. Luxemburgo, que voltou ao Flamengo, disse que não viu nada de novo na Copa. Citou a Holanda, que jogou com três zagueiros, uma maneira considerada ultrapassada. A Holanda não jogou bem por causa dos três zagueiros. As discussões sobre qual seria o melhor sistema tático, sobre futebol arte ou de resultados, defensivo ou ofensivo e muitas outras, incentivadas por parte da imprensa, dos técnicos e de ex-atletas saudosistas, estão ultrapassadas. Os problemas do futebol brasileiro são outros e mais graves, dentro e fora de campo. Dias atrás, a “Folha” publicou uma lista dos melhores jogadores entre 19 e 21 anos, que devem participar das Olimpíadas. Alguns poderão estar nas próximas convocações da seleção principal e na Copa de 2018. Quase todos são titulares de grandes equipes brasileiras ou de times médios ou pequenos da Europa. Fiquei mais preocupado. Todos são bons, mas nenhum promete ser um jogador excepcional, destaque na seleção e/ou nas melhores equipes do mundo. A geração atual, de 2014, é inferior à anterior, que tinha Kaká, Ronaldinho, Adriano, Robinho, Luís Fabiano, e superior à que vem por aí. Logo após a Copa de 2010, todos escalavam a seleção de 2014 com Neymar, Pato e Ganso. Se Ganso tivesse sido formado na Alemanha ou na Espanha, seria colocado, desde as categorias de base, para ser um armador, jogar na posição e nas funções de Schweinsteiger, Kroos, Xavi e outros, de uma área à outra. Nos treinos, seria cobrado para não perder a posse de bola, para esperar o momento certo de dar um passe decisivo, para tocar, avançar, receber, tocar e, quando time perdesse a bola, voltar rápido para marcar e proteger os defensores. Provavelmente, seria tão bom quanto os melhores armadores do mundo, pois tem talento para isso. Se Kroos, Schweinsteiger e outros fossem formados no Brasil, seriam escalados, desde as categorias de base, de meias ofensivos, para atuar da intermediária do adversário ao gol. Seriam cobrados para entrar na área. Provavelmente, seriam apenas bons jogadores, como Ganso, irregulares, pois teriam poucos espaços e seriam mais marcados. De vez em quando, fariam uma bela jogada.  A razão dessa diferença é que os técnicos brasileiros, décadas atrás, dividiram o meio-campo entre os volantes para marcar e os meias ofensivos. Sumiram os armadores. Neymar, que ainda vai evoluir, é tão fenomenal que resistiu e passou por cima das instruções dos técnicos das categorias de base. Galo campeão No Mineirão, mais uma vez, como tinha acontecido na Libertadores, o Atlético foi campeão, em um estádio com mais de 50 mil pessoas. Se não fosse a exigência da Conmebol, provavelmente, o jogo seria no Independência, com menos da metade do público. O clube arrecadaria muito menos, e as chances do título seriam as mesmas. O Atlético, longe de seus melhores momentos, mostrou suas virtudes e deficiências. O time não tem armador, como a maioria das equipes brasileiras. Os dois volantes marcam, e os três meias correm na frente, formando um quarteto ofensivo. Foi o mesmo problema da seleção brasileira. Victor, novamente, foi brilhante, e Ronaldinho, mais uma vez, foi discretíssimo.

 

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