Planos particulares adotam sistema de saúde da família

Para diretor de operadora, “pessoas fazem uso excessivo e improdutivo dos serviços de saúde”

iG Minas Gerais |

Análise. Entre as hipóteses para a baixa adesão, está a crença de que os planos querem apenas economizar
PEDRO GONTIJO / O TEMPO._MG_1802
Análise. Entre as hipóteses para a baixa adesão, está a crença de que os planos querem apenas economizar

SÃO PAULO. Até então concentradas no SUS e com foco em famílias de baixa renda, as equipes de saúde da família estão chegando aos planos de saúde. Ao menos dois grupos, as Unimeds e as operadoras de autogestão, já têm programas deste tipo que ficam responsáveis pelo paciente dentro do sistema.

As experiências são baseadas em modelos de países como Inglaterra, Holanda, Espanha e Canadá. Estudos mostram que 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos por esses profissionais. O paciente procura um ambulatório de saúde da família para consulta de rotina ou em situações inesperadas, como crises de sinusite e problemas gastrointestinais. É examinado, medicado e, se for caso, encaminhado a um especialista. A equipe passa a “gerenciar” a saúde do cliente. Telefona, por exemplo, para saber se a pressão arterial ou a glicemia estão controladas.

“As pessoas que têm planos estão perdidas hoje no sistema, sem direcionamento. Fazem uso excessivo e improdutivo dos serviços de saúde”, resume José Augusto Ferreira, diretor de provimento de saúde da Unimed de Belo Horizonte. A Unimed testa há um ano um projeto piloto, com 1.700 clientes. No período, as idas aos pronto-socorros caíram de 35% para 18%. O paciente também fica com número do celular do médico e pode acioná-lo se precisar.

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi), com 700 mil usuários, tem modelo parecido. São 65 clínicas no país com equipes de saúde da família. Pelo menos uma vez por ano, os usuários cadastrados são procurados para agendarem consulta preventiva.

Mas por que iniciativas como essas, consagradas na literatura médica mundial, ainda são tão escassas? Há várias hipóteses, entre elas a crença de usuários de planos de saúde de que medicina de família é “medicina de pobre” e de que os planos só querem economizar. Somam-se a ela o desinteresse dos médicos numa especialidade pouco rentável e ainda a própria (falta de) lógica do sistema de saúde, que se concentra nas ações curativas e não nas preventivas.

“A atenção primária não é menor, não restringe o acesso às novas tecnologias. O foco é antecipar o risco e, quando ele ocorre, encaminhar o paciente aos recursos necessários”, afirma Denise Eloi, presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas).

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