Lula e FHC reeditam disputa e poupam seus candidatos

Longe dos palanques desde 2006, ex-presidente reaparece e trava “briga” com adversário do PT

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

É a eleição presidencial de 2014, mas bem que parece as disputas de 1998 e 1994. Tudo por causa da reedição dos embates entre os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT). Nos últimos dias os dois têm protagonizado troca de farpas. A “briga” de declarações entre FHC e Lula, além de confrontar o estilo de administração tucano e petista, poupa os candidatos à Presidência – Aécio Neves e Dilma Rousseff – de assumirem um estilo “agressivo” perante o eleitor.

Após ficar afastado das campanhas presidenciais de 2006 e 2010, FHC retornou assumindo o papel de “pensador” e um dos principais condutores do PSDB. O ressurgimento do ex-presidente tem o dedo do presidenciável Aécio Neves.

O afastamento de FHC teve motivo. Tanto José Serra (PSDB), candidato à Presidência em 2002 e 2010, quanto Geraldo Alckmin (PSDB), lançado em 2006, evitaram a figura de FHC por deixar o governo com baixa aprovação popular. Na época, a pesquisa CNI/Ibope apontou que apenas 24% das pessoas avaliaram a gestão FHC como ótima ou boa.

Durante a campanha de 2002, uma das frases de Serra era: “continuidade sem continuísmo”. Em 2006, Alckmin se afastou de FHC por seu governo ser comparado com o primeiro mandato de Lula. Em 2010, FHC não estava incluído na lista de discursos na convenção tucana que lançaria Serra. Foi incluído na última hora.

Neste ano, o ex-presidente assume, em determinados momentos, o protagonismo do PSDB e faz críticas às administrações do PT. Os ataques do tucano não ficam sem resposta no PT. Na maioria das vezes, quem toma as dores da presidente Dilma Rousseff é Lula.

Nos últimos dias, FHC escreveu um artigo que diz que Lula é “incapaz de fazer autocrítica” no caso do mensalão. “Quando deveria abominar a prática da corrupção, ele tenta distrair a opinião pública jogando a culpa nos outros”.

Lula não deixou por menos e contra-atacou. “Desafio eles (tucanos) a provarem se algum presidente nesse país criou mecanismo de investigação, de apuração, de mandar prender corrupto que eu criei em oito anos”, retrucou o petista, citando a denúncia de compra de apoio parlamentar para a aprovação da emenda da reeleição

Na troca de farpas, também entram na discussão a capacidade de seus pupilos. FHC aponta Dilma como responsável pelo aparelhamento da administração pública, pela “destruição” da Petrobras e por colocar o Plano Real em perigo. Lula já criticou a gestão tucana no governo de Minas e a pouca presença de Aécio no Estado.

O presidente do PSDB de Minas, Marcus Pestana, nega que Lula e FHC estejam protagonizando a disputa eleitoral. “A eleição é entre Dilma, Aécio e Campos. O FHC foi responsável por mudanças profundas, não negamos nossa origem”, argumenta.

O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) acha positivo a volta de FHC. “Acho bom Aécio trazer FHC. Vai permitir comparar as ações dele com as de Lula. Nesse ponto, a vantagem é nossa”, avalia.

Rivalidade

1994. Foi a primeira vez em que os dois se enfrentaram nas urnas. FHC venceu Lula por 54% (35 milhões de votos) a 27% (17 milhões de votos). 1998. Na segunda e última vez em que se enfrentaram, FHC venceu novamente, mas Lula subiu sua votação. O tucano recebeu 35, 9 milhões de votos contra 21 milhões de Lula. O petista só superou o PSDB quando disputou contra Serra, em 2002.

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