Todas apostam nos remakes

Globo, Record e SBT investem no filão que é readaptar obras de outrora. A emissora carioca destina principalmente a faixa das onze para as releituras

iG Minas Gerais | Geraldo Bessa |

Afonso Carlos/Czn
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Revisitar histórias, formatos e êxitos é uma atitude constante na TV. Na teledramaturgia, de olho na memória afetiva do público e no apelo popular de tramas de outrora, projetos de remakes de clássicos do gênero estão na pauta das principais emissoras.

Atualmente, a Rede Globo mantém seu horário das onze exclusivo para novas versões de novelas de sucesso, como acontece com “O Rebu”, e ainda arquiteta produções do tipo em outros horários, caso de “Meu Pedacinho de Chão”, na faixa das seis. O SBT investe em versões de tramas infantis que já tiveram êxito em sua grade e que vêm conquistando números crescentes de audiência, como “Carrossel” e “Chiquititas”. Com resultados oscilantes, a Rede Record também flerta com este filão. Mas, desde a súbita perda de audiência e cancelamento de “Rebelde”, a emissora foca em textos bíblicos e adaptações literárias. “Não basta ser a versão de uma novela de grande audiência. O sucesso continua imponderável. Mas é curioso saber o rumo que tomará essa história que já foi contada. Hoje, é preciso ter cuidado na hora de adaptar. Afinal, os tempos, valores e referenciais são outros”, acredita George Moura, que assina a nova versão de “O Rebu” ao lado de Sérgio Goldenberg.

O remake do texto original de Bráulio Pedroso, exibido em 1974, é um caso onde os autores tiveram carta branca da emissora para mudar drasticamente boa parte da trama. O mote da novela continua original: motivos e mistérios por trás de um assassinato ocorrido em uma festa, em uma trama que se passa ao longo de 24 horas. No entanto, continuar com a mesma estrutura dramatúrgica parecia inviável para os autores, que decidiram trocar o sexo dos personagens principais. Saem as figuras fortes masculinas, e as mulheres assumem os postos. “Hoje em dia, combina muito uma mulher no comando dessa festa, dessa história. Fora isso, os dilemas morais de cada papel foram recriados. É uma versão bem autoral”, explica Goldenberg.

“O Rebu” chega na sequência de produtos bem-sucedidos, como a segunda versão de “O Astro” e a readaptação de “Gabriela”, de Jorge Amado. O único senão do horário foi a inesperada baixa receptividade de “Saramandaia”. Em “O Astro”, embora gozassem da mesma liberdade, os autores Geraldo Carneiro e Alcides Nogueira ficaram mais presos ao texto de Janete Clair. “O original era muito bom e foi um remake comemorativo. Apenas atualizamos alguns aspectos tecnológicos e mudamos o assassino de Salomão Ayala”, conta Geraldo.

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