De olhos bem abertos

Depois de passar anos de sua carreira dedicada ao teatro, ator encontra seu ritmo na TV e busca se reinventar

iG Minas Gerais | Caroline Borges |

Tardio. Com 25 anos de carreira, Luiz Fernando estreou na TV com 36 anos, na novela “Sabor da Paixão”, em 2002
Isabel Almeida/czn
Tardio. Com 25 anos de carreira, Luiz Fernando estreou na TV com 36 anos, na novela “Sabor da Paixão”, em 2002

Os altos e baixos da profissão de ator são bem conhecidos por Luiz Henrique Nogueira. Com 25 anos de carreira, boa parte focada no teatro, o intérprete do bobão e inocente Sílvio, de “Geração Brasil”, demorou a compreender a mecânica e as demandas do mercado televisivo, onde estreou em 2006. "A TV foi uma surpresa para mim. Tem um lado lúdico e uma técnica que não conhecia. Até hoje, tenho uma leve dificuldade em saber qual é a minha câmara. Atualmente, a televisão me atrai muito mais por uma questão de aprendizado”, avalia ele, que entrou no meio como uma forma de ampliar seu espaço de atuação, visibilidade e retorno financeiro. 

Natural do Rio de Janeiro, Luiz Henrique optou tardiamente pela carreira de ator. Foi apenas no terceiro ano da faculdade de jornalismo que ele começou a frequentar o Tablado, famosa escola de interpretação fundada por Maria Clara Machado. No entanto, a instabilidade da profissão o impedia de prosseguir firmemente. Por isso, tentou uma série de outras carreiras – como produção de elenco e direção – antes de ingressar no veículo definitivamente. “Meu pai era militar e minha mãe achava que eu tinha de fazer concurso público. É uma profissão muito difícil. Mas outras possibilidades não me faziam feliz. Teria uma velhice muito triste”, ressalta.  Sílvio Marra é um tipo bem específico, com muitos trejeitos e personalidade caricata. Como foi seu processo de composição para o papel? Fiz um laboratório na Taquara, na zona Oeste do Rio de Janeiro. Fiquei um dia lá, almocei e frequentei um supermercado. Tudo isso para compreender melhor o ambiente em que o personagem estava inserido. Ajudou muito na inspiração vivenciar o espaço em que a história se passa. Também fiquei um dia em uma loja de varejo especializada em eletrodomésticos para incorporar esse lado vendedor do meu personagem. A caracterização também me ajudou bastante.   “Geração Brasil" é sua quarta novela com a diretora de núcleo Denise Saraceni. Trabalhar em uma produção com uma equipe conhecida é um facilitador? Ajuda bastante. Conheço todos os diretores dessa novela, por exemplo. De alguma forma, eles já sabem a minha forma de trabalhar e eu sei a deles. A mecânica e o dia a dia fluem com mais naturalidade e tranquilidade ao longo do tempo. Mas também pode atrapalhar. Chega uma hora em que os diretores vão “acessando” você no mesmo lugar sempre. É preciso se reinventar.   Em sua trajetória na TV, você está ligado a papéis cômicos. Sente algum tipo de limitação na carreira? Não. Porque, quando eu faço coisas diferentes, faço no teatro. Nos palcos, por exemplo, nunca fiz comédia. Eu vim experimentar humor na TV. Mas, nos últimos tempos, tenho pensando bastante nisso. Tenho vontade de interpretar algo fora do cômico na televisão. Um personagem com perfil sério e menos caricato.    Você estreou nas novelas com 36 anos, em “Sabor da Paixão”. Por que esse começo tão tardio? Eu sou de uma geração em que a televisão não era prioridade. Quando comecei, TV não estava nos meus planos. Na faculdade de teatro, me envolvi com um teatro de pesquisa e companhias. Fiquei 15 anos nesse lugar. A TV demorou a entrar nos meus anseios, mas, quando entrou, não foi fácil, pois achava que meu biótipo era muito específico para televisão. Acabou que a TV me levou para papéis de composição e tipos cômicos. Aconteceu. Eu não busquei isso. Na televisão, sou convidado, não posso escolher o que quero.

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