Apelação sem humor

Com os humoristas Fábio Porchat e Tatá Werneck, o “Tudo pela Audiência” coleciona clichês e não faz rir

iG Minas Gerais | Anna Bittencourt |

Desnecessário. Gritos e excessos são alguns motivos que fazem o telespectador desistir do programa
multishow/divulgação
Desnecessário. Gritos e excessos são alguns motivos que fazem o telespectador desistir do programa

Juntar Tatá Werneck e Fábio Porchat em um programa de humor foi uma aposta meio óbvia do Multishow. Os nomes mais cotados da atual geração de humor já tinham grande ligação com o canal a cabo – ele com “Meu Passado Me Condena”, ela com “Sem Análise”. Se o sucesso do “Tudo pela Audiência” era dado como certo, o que se vê é um produto que se propõe a satirizar os programas de auditório, mas que se torna mais apelativo do que eles. O canal que mais investe em humor na TV fechada brasileira atualmente fez grande alarde sobre o novo formato. As chamadas da produção invadiram a programação bem antes de sua estreia. O que não foi pensado é que, além de todos os excessos do projeto, exibi-lo de terça a sábado podia cansar o telespectador na primeira semana.

Com um título provocador e que dá indícios do conteúdo do show, em cerca de uma hora, o programa sintetiza manjados e apelativos quadros e promove um desfile de mulheres seminuas, anões e até um travesti. Com convidados que vão de Sérgio Mallandro ao funkeiro Naldo Benny, passando por João Kléber, o “Tudo Pela Audiência” tem um ritmo acelerado. Mal acaba um trocadilho de gosto duvidoso e os apresentadores já estão chamando paródias do tipo “Você Tira o Pastel?”, “Chora Brasil” e “O Barraco do Dia”. A plateia é um capítulo à parte. Chamada “carinhosamente” de “plateia Classe C”, os participantes são convidados a se manifestar em qualquer momento, dizendo qualquer coisa. Muitas vezes de forma completamente constrangedora e desnecessária. Poderia até ser um excelente exercício de metalinguagem, com a TV exorcizando o que há de pior e melhor nela própria. Mas, quem diria, Tatá e Porchat deixam a desejar no quesito humor.

Ele, com seu notório histrionismo, fica muito acima do tom do programa. Os gritos e todos os outros excessos que Porchat comete acabam cansando nos primeiros minutos. É claro que é muito difícil ter fôlego para uma atração diária, mas crescer em cima disso soa over. Já Tatá teria condições de levar o formato sozinha. “Cria” da MTV, onde improvisava em produtos como o “Trolalá” e o “Comédia MTV”, ela consegue brincar com convidados e plateia, criando climas agradáveis e engraçados, com boas tiradas e piadas muito bem colocadas.

Ficou bem claro que a dupla está disposta a apelar de todas as formas para conseguir audiência. Mas ainda é cedo para dizer se tantos clichês vão agradar a um público que já está acostumado a eles.

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