Escolhas e renúncias na carreira de Marcos Palmeira

Aos 50 anos, ator carioca conseguiu se desvencilhar de personagens óbvios, como o herói romântico e o velho e bom galã rural

iG Minas Gerais | Geraldo Bessa |

Empresário. Marcos Palmeira tem investido na comercialização de produtos orgânicos
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Empresário. Marcos Palmeira tem investido na comercialização de produtos orgânicos

Há exatos 10 anos, Marcos Palmeira iniciou uma nova fase em sua trajetória artística. Frequentemente escalado para novelas e se sentindo engessado na figura do herói romântico ou galã rural, ele resolveu parar e repensar a carreira. O questionamento não era se deixaria ou não de atuar, mas qual o melhor jeito de retomar as rédeas de sua força de trabalho e fazer apenas o que quisesse. “Tive muitos receios de largar um bom contrato e ter de procurar trabalho. Não tenho mais vínculo fixo, mas sempre tive uma ótima relação com a Rede Globo”, destaca. O resultado dessa reflexão e das escolhas tomadas pode ser visto até hoje. No ar na pele do investigador Pedroso, de “O Rebu”, Palmeira parece estar exatamente onde quer e não esconde a empolgação a cada novo projeto. “Eu adorei fazer ‘Saramandaia’, e a experiência de estar em outra produção das onze é muito bacana. Antes de ser ator, sou noveleiro e gosto das experimentações que são feitas nesse horário”, valoriza.

Aos 50 anos, o ator carioca repassa a carreira e as limitações impostas pela TV de forma bem-humorada. “É preciso saber dizer ‘não’. Se não fosse assim, poderia estar até hoje fazendo personagens rurais”, diz.

Embora guarde boas recordações de todos os trabalhos, na última década, o ator percebeu o quanto sua carreira ganhou em diversidade. Muito por conta de personagens como o sagaz Mandrake, da série homônima produzida pelo canal a cabo HBO, filmes como “O Homem que Desafiou o Diabo”, e novelas como “Cheias de Charme” e “Saramandaia”. “Amo atuar e tenho feito de tudo um pouco. Acho que é essa minha vontade de trabalhar que chama tanto convite. Entre alguns erros e acertos, gosto muito de tudo o que tenho feito”, analisa.

Assim como toda a equipe de “O Rebu”, o período de gravações no interior e na capital da Argentina marcaram Palmeira. Para o ator, a convivência com o elenco foi gratificante e há tempos não tinha uma experiência tão intensa, com gravações recheadas de improviso, muita descontração nas locações e unidade de atuação. “É um processo mais visto no cinema. A concentração era enorme, mas sem crises ou estresse. Foi uma experiência rica e que deixou saudades. Fizemos até um bolão para saber quem é o assassino da trama”, revela.

Vida natural. Caso resolvesse deixar a carreira de ator, Marcos Palmeira poderia facilmente levar uma vida simples, vivendo da comercialização dos produtos orgânicos oriundos de sua fazenda, a Vale das Palmeiras, localizada na Região Serrana do Rio de Janeiro. “Minha porção ator sempre falou mais alto. Ainda estou me acostumando a ser empresário”, conta.

Depois de passar 15 anos distribuindo seus produtos para redes de supermercados da capital, Palmeira comemora o aniversário de 1 ano de sua loja própria, que fica no famoso bairro do Leblon. Os próximos passos como empresário serão feitos de forma lenta, mas gradativa. O sonho, ele não nega, expandir a rede e continuar vendendo produtos de qualidade. “Alimentos orgânicos não têm nada a ver com essa onda de light e diet, mas sim em se alimentar de forma mais sadia. Produtos mais frescos e sem o uso de agrotóxicos fazem uma grande diferença na vida de qualquer um”, explica.

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