Tempero mineiro no time do maior campeão da Air Race

Na equipe do britânico Pal Bonhomme, bicampeão da Air Race, trabalha Paulo Iscold, belo-horizontino que brilha como engenheiro da modalidade

iG Minas Gerais | Igor Veiga |

Paulo Iscold se diz orgulhoso por representar o Brasil na Air Race
IGOR VEIGA
Paulo Iscold se diz orgulhoso por representar o Brasil na Air Race

Gdynia, Polônia. Entre os 12 pilotos da maior competição de aviões de velocidade no mundo, infelizmente não figura nenhum brasileiro na Red Bull Air Race. Mas lá no hangar do aeroporto, na “cozinha” da equipe do britânico Paul Bonhomme, bicampeão da Air Race e vice-líder da atual temporada, trabalha o talento de um mineiro de Belo Horizonte no time do piloto mais vitorioso da famosa competição aérea. A quarta etapa da temporada acontece neste domingo na cidade de Gdynia, na Polônia, a partir das 11h (horário de Brasília), e terá nos bastidores Paulo Iscold, professor do Centro de Estudos Aeronáuticos da UFMG e engenheiro de corrida da Air Race.

Doutor em engenharia mecânica e aeronáutica, Iscold trabalha para o xará inglês, Bonhomme, mas está envolvido diretamente com a competição desde 2008 quando foi convidado pelo ex-piloto sul-africano da Air Race, Glen Dell, a participar do staff dele. “Um dos aviões que eu desenvolvi, na época da minha pós-graduação, foi um avião de acrobacia. Quando tocava esse projeto, descobri um pessoal que estava fazendo algo parecido na África do Sul. Entrei em contato por e-mail com eles em 2004, mas só em 2008 que recebi a resposta do Glen. Foi assim que acabei parando aqui nessa loucura que é a Air Race”, explica o mineiro.

Com a saída do sul-africano da Air Race em 2009, Paulo ainda teve a oportunidade de trabalhar para o único piloto do Brasil na competição Adilson Kindlemann, que infelizmente se acidentou em 2010 e nunca mais voltou a participar da corrida aérea. Desde então, Iscold faz parte da equipe do britânico Paul Bonhomme, que faturou o segundo título da Air Race no mesmo ano. Além da análise dos circuitos da Air Race, o professor da UFMG tem a missão de otimizar a parte aerodinâmica do avião do piloto inglês criando novas peças para aprimorar a performance da aeronave.

“Duas a três semanas antes da corrida, a gente recebe um mapa de onde ficarão os cones infláveis da pista e determina pra ele (o Bonhomme) qual é o melhor caminho. Isso é feito de lá do Brasil mesmo. Mandamos um vídeo com uma espécie de visualização dessa rota para ele”, explica o brasileiro. “É pura mecânica de voo e tudo tem que ser levado em consideração: velocidade do vento, densidade do ar, peso do avião e até do piloto. Se ele (Bonhomme) emagrece por exemplo, temos que trocar os parâmetros da análise”, detalha Iscold.

Telemetria. O brasileiro desenvolveu uma espécie de aparelho de telemetria para o avião de Bonhomme usada durante os treinos para as corridas da Air Race, posicionada na cauda da aeronave, e que com o auxílio de uma microcâmera mede precisamente o percurso durante os voos na corrida. O processo, no entanto, não é em tempo real. As informações obtidas pelo equipamento só são coletadas e analisadas depois dos treinos. A partir disso, o engenheiro tem como fazer uma comparação da rota ideal com o traçado feito pelo piloto durante a volta pelo circuito.

Nos dias de competição, Iscold precisa ficar o tempo todo no hangar do aeroporto, acompanhando a prova apenas pela TV. “Tenho que estar sempre aqui porque preciso conversar com o piloto toda vez que ele pousa na pista para dar as dicas sobre o traçado”, explica o brasileiro. “Paulo é um sujeito muito inteligente e que sabe tudo o que acontece na corrida. Quando eu entro no avião, ele me orienta sobre como eu posso voar melhor e essa comunicação, essas informações, fazem toda a diferença”, elogia Bonhomme.

Casado e pai do pequeno Matheus, 6, Paulo Iscold além de engenheiro, também sabe pilotar aviões. Tem como hobby favorito voar em aeronaves de pequeno porte. O mineiro está longe de ter a chamada “superlicença”, que é obrigatória para ser um air racer, mas se diz realizado com o que faz. “Não ganho e nem posso ganhar nada para estar na Air Race. A viagem é toda custeada por eles, mas isso aqui para mim não tem preço, é a realização de um sonho”, garante o brasileiro.

A prova em Gdynia, na Polônia, será transmitida ao vivo hoje pelo Sportv 2, a partir das 10h55 (horário de Brasília)

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