Insatisfeito e receoso com crise na Ucrânia, Bernard quer sair

Em entrevista exclusiva, jogador desabafou sobre situação que vive no Shakhtar Donetsk e revelou possibilidade de mudar de clube

iG Minas Gerais | GUILHERME GUIMARÃES |

Bernard vai usar a camisa 10 no novo clube
Divulgação
Bernard vai usar a camisa 10 no novo clube

A situação política envolvendo dois países, Ucrânia e Rússia, atinge diretamente o futebol. O clima de guerra, principalmente em solo ucraniano, tira o sono de jogadores brasileiros que atuam naquele país. Caso de Bernard, ex-Atlético, e, atualmente, no Shakhtar Donetsk-UCR. O meia-atacante vive apreensão e medo com o momento atual da Ucrânia, onde aeroportos têm sido fechados e a rotina de trabalho nos clubes alterada por conta dos problemas culturais.

O "Bambino", que disputou a última Copa do Mundo, passa férias no Brasil. Em entrevista exclusiva publicada neste sábado, na coluna "Caiu no Super", do Super Notícia, Bernard abriu o jogo sobre seus planos para o futuro. O jovem, por tudo o que disse, não deseja voltar para Shakhtar Donetsk. Acompanhe a entrevista:

Bernard, a Ucrânia vive momentos de tensão e, em breve, você terá que voltar ao Shakhtar Donetsk. Você está com medo? “Fecharam o aeroporto de Donetsk (cidade-sede do Shakhtar, clube de Bernard), falaram que teremos que mudar de cidade, que vou ficar três meses sem a família. Vou te falar, tendo a família perto por lá já estava complicado, imagina sem ela. É um lugar longe, complicado, língua diferente. Por mais que eu tenha aprendido muita coisa para me comunicar, é difícil".

Então, você pode não voltar para a Ucrânia? Sair do Shakhtar Donetsk?

“Difícil falar sobre isso. Sempre falei, desde o momento que cheguei ao clube, que estava insatisfeito com a maneira que eles trabalham. Lá, o atleta que está em melhor momento não joga, porque outro da mesma posição, e em pior momento, está há mais tempo no clube. Uma maneira muito diferente de pensar, para um clube que tem estrutura muito grande, muito dinheiro. Mas que deixa fatores pequenos impedirem que o clube chegue mais longe. Não estou satisfeito, é claro. Não por não jogar como o esperado, mas por outros fatores. Me incomodo com coisas erradas, mas trabalho e procuro fazer as coisas certas”

Você já tentou conversar com o presidente do clube e expor críticas e até sugestões?

"Em todos os clubes brasileiros ou em qualquer clube do mundo você tem facilidade para ter reunião, conversar com o presidente. No Shakhtar é o único lugar que não permitem isso. Alguma coisa pode estar errada, algum medo eles têm. O presidente não está no dia a dia, não participa tanto dos treinamentos, comparece apenas aos jogos dentro de casa. Mas, prefiro ficar calado e ter a cabeça no lugar para descansar e olhar o futuro depois".

Seus companheiros de seleção, Willian e Fernandinho jogaram no Shakhtar Donetsk. Eles te deram dicas de como se comportar com a situação?

"Conversei sim com o Fernandinho, com o Willian, mas é difícil falar. Por enquanto eu estou tranquilo. Não quero pensar no Shakhtar ainda, pois estão acontecendo várias coisas lá e eu tenho minhas férias. É momento de ter tranquilidade, descansar, Tive um desgaste físico e emocional grande”.

Futuro é uma palavra que você usou bastante na entrevista. Acredita que ainda escreverá capítulos da sua vida na Ucrânia?

"Agora é trabalhar, descansar e esperar que as pessoas que cuidam da minha carreira olhem isso. Tenho certeza que vai acontecer o melhor para todo mundo. Fui sondado, mas não posso falar. Foram quatro clubes. Tenho que ter tranquilidade. Tive um desgaste grande, uma preparação forte para a Copa do Mundo. Quero descansar a mente e começar a trabalhar externamente essas coisas”.

Leia tudo sobre: bernarndshakhtarucraniacrisefutebolseleção brasileiraexclusivaatleticomercado