Coragem e dignidade para dizer adeus

iG Minas Gerais |

Ninguém dúvida que Ronaldinho Gaúcho foi um craque. Ninguém contesta que ele entrou para a história do Atlético como um dos maiores ídolos do clube, para alguns, o maior, devido ao título da Libertadores. Quem poderia dizer que um jogador eleito duas vezes o melhor do mundo não foi um fora de série, um gênio da bola? Tudo isso é verdade! Porém, como tudo na vida, a carreira de Ronaldinho chegou ao fim, pelo menos no Galo, mesmo que o clube insista em informar que o meia vai ficar até dezembro deste ano, quando termina seu contrato. Ele pode até ficar, mas não deveria. O futebol de Ronaldinho nos jogos finais da Recopa Sul-Americana é digno de pena. Ele está andando em campo e vivendo de uma ou duas cobranças de escanteios ou de faltas, quando acerta. Nitidamente não tem mais a menor vontade de jogar futebol. Pelo passado que tem no esporte e, principalmente, no alvinegro, deveria chegar a um acordo com o clube e sair, antes que siga protagonizando atuações que sua biografia não merece. Na quarta-feira, ao ser substituído no jogo contra o Lanús, saiu de campo com um gestual que indicava uma despedida e, mais uma vez, não ficou no banco com os companheiros, como já fizera na Argentina, e só voltou após a partida para comemorar o título. Se o Galo tivesse perdido ele voltaria? Mais uma vez, falta de respeito com os demais jogadores e com o técnico Levir Culpi, mesmo que ele não tivesse tal intenção. A diretoria e a comissão técnica já parecem indiferentes às atitudes do jogador, algo sintomático. Será que, se Ronaldinho deixar o Galo imediatamente, o dinheiro que ele teria a receber até o final do contrato fará falta para quem já é milionário? Quanto ao Atlético, acho que está na dele, pois presumo que haja uma multa caso o jogador saia do clube antes do fim de seu vínculo. E a diretoria tem mesmo que zelar, como tem feito muito bem nos últimos anos, pela saúde financeira da instituição, que está sendo reerguida com muito custo pelo presidente Alexandre Kalil, que de bobo não tem nada. O último capítulo dessa novela se deu ontem, quando, dispensado pelo Atlético para participar da despedida de Deco, em Portugal, Ronaldinho supostamente perdeu o voo. Ele tem reapresentação marcada para terça-feira. Agora, se ele foi liberado para ir a Portugal e não foi, não seria lógico voltar a treinar com o grupo e viajar para Recife, onde o Galo joga amanhã contra o Sport, pelo Brasileiro? Lambança à parte, só o fato de o Atlético ter dispensado o jogador de uma partida importante – afinal, os três pontos contra os pernambucanos valem a mesma coisa do que aqueles a serem disputados contra o Cruzeiro, por exemplo – mostra que o atleta já não tem importância, do ponto de vista técnico, para a equipe. Eu me lembro bem quando o Atlético foi desclassificado da Libertadores deste ano, e Kalil deu entrevista pós-jogo dizendo que assumia toda a culpa. Na entrevista, o presidente contou ainda que tinha um arrependimento em relação a uma decisão tomada por ele que contribuiu para a queda do time na competição. Continuo com a convicção de que o arrependimento se deve à renovação de contrato com Ronaldinho, embora muitos achem que ele falava da contratação de Paulo Autuori. Contudo, entendo Alexandre Kalil. Ele não tinha como não renovar com o jogador depois da conquista épica de 2013. Seria muito pressionado pela Massa. Melhor perder com Ronaldinho do que sem ele.

Despedida? Segundo informação de ontem à noite, do muito bem antenado jornalista Victor Martins, responsável pelo blog Entrelistras, hospedado no Super FC, do portal O TEMPO, Ronaldinho já entregou sua casa alugada em Lagoa Santa e até já se despediu dos vizinhos. No começo da semana, haveria uma reunião para tratar da rescisão de contrato do jogador. Parece que o bom-senso prevaleceu.

Dunga. Não se trata de preconceito, ainda mais em um país onde a educação agoniza, mas ver o novo técnico da seleção falando é de doer os ouvidos, pois seu português é sofrível. É uma constatação! Será que alguém que, nitidamente, não teve uma educação minimamente satisfatória para concatenar as ideias para se expressar será capaz de organizar um projeto tão complexo para reerguer a seleção?

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