A suja e os mal-lavados

iG Minas Gerais |

O clima começa a esquentar na campanha eleitoral para presidente, e o esperado jogo de acusações já pauta a agenda dos candidatos e seus próximos passos. Com os resultados das últimas pesquisas, que anunciam pequena queda na diferença entre Aécio e Dilma em diversos cenários e um empate técnico em um eventual segundo turno, é até natural que o lado perverso e oficioso de cada candidatura mostre sua face. Tudo isso é motivo para uma blitz de denuncismos, mas também para delações verdadeiras, que devem ser levadas a sério e investigadas com afinco pelas autoridades competentes. Mais do que isso, as revelações são, também, ferramentas que contribuem para o correto julgamento do eleitor, que, após suas análises, terá condições de separar com mais nitidez o joio do trigo. O que fica clara, definitivamente, é a possibilidade de um candidato apontar o dedo para o outro. Esvaiu-se qualquer condição moral para isso. Entre os três principais presidenciáveis, a suja, no caso, a presidente Dilma Rousseff, não pode mais ser alvo exclusivo dos mal-lavados Aécio e Eduardo Campos. A presidente Dilma, até domingo passado, respondia pela ruidosa venda de Pasadena, o que, de certa forma, contribuiu para sua despencada. Os estratosféricos R$ 1,25 bilhão gastos na aquisição da petrolífera americana, mais do que exporem uma administração absurdamente temerária, mostram a irresponsabilidade e o desrespeito com o dinheiro público. Porém, fazendo as devidas ressalvas sobre a abismal diferença entre os valores monetários em questão, Dilma deixou o isolamento na vala dos suspeitos. Passa a ser acompanhada agora por Aécio, que terá que responder pela construção de um aeroporto em um terreno cuja propriedade era de um parente. Como pau que dá em Chico também acerta Francisco, Eduardo Campos também perde sua auréola, pois está sendo obrigado a se justificar por causa de uma reunião por meio da qual seus assessores oferecem propinas para ter o PROS na campanha de Paulo Câmara, o seu escolhido para a sucessão do governo pernambucano. Como já aconteceu com Dilma, que foi poupada pelo TCU na hora de apontar culpados na negociata envolvendo a Petrobras, Aécio e Eduardo também serão inocentados por autoridades e tribunais deste país. Ficará novamente a mensagem para o eleitorado de que a cobertura de todos é feita de vidro, e sem blindex. Talvez será preciso chegar ao ponto de termos que fazer uma escala individualizada e uma espécie de ranking de escândalos e irregularidades para ver qual o poleiro será o menos sujo até o dia 5 de outubro.

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