Santander ‘avisa’ sobre Dilma

Banco envia a “clientes vips” análise afirmando que reeleição da presidente prejudicaria economia

iG Minas Gerais |

Extrato. Texto sobre os reflexos da reeleição de Dilma Rousseff na economia foi divulgado em extrato mensal de correntistas “select”
Reproducao / Santander
Extrato. Texto sobre os reflexos da reeleição de Dilma Rousseff na economia foi divulgado em extrato mensal de correntistas “select”

Brasília. O banco Santander fez um alerta a seus clientes mais ricos: se a presidente Dilma Rousseff se estabilizar nas pesquisas de opinião para as eleições de outubro ou voltar a subir, a bolsa irá cair, os juros subir e o câmbio se desvalorizar. Ou seja, a economia vai se deteriorar.

O alerta foi dado nos extratos de julho do banco Santander para os clientes do segmento Select, que têm renda de mais de R$ 10 mil por mês. Esse posicionamento tem sido comum entre analistas do mercado financeiro, e os mercados têm refletido essa mesma análise.

Na avaliação do relatório do Santander, a economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, inflação alta e déficit em conta corrente. “Difícil saber até quando vai durar esse cenário e qual será o desdobramento final de uma queda maior de Dilma Rousseff nas pesquisas”, diz o texto. “Se a presidente se estabilizar (...) o câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes. Este último cenário estaria mais de acordo com a deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos”, diz o relatório do extrato, sob o título “Você e seu dinheiro”.

O banco Goldman Sachs também enviou relatório nos últimos dias analisando o impacto das eleições na economia e suas consequências para os investimentos dos clientes. Segundo o texto, uma eventual reeleição da presidente Dilma deverá vir acompanhada de mudanças importantes na equipe econômica, adoção de medidas impopulares – como a liberação de reajuste de preços represados (como energia e gasolina) – e corte nos gastos públicos.

“Após as eleições, assumindo que ocorra a reeleição, o mercado espera que a presidente Rousseff mude alguns membros importantes da equipe econômica. Com uma nova equipe e sem a preocupação eleitoral, as autoridades devem decidir fazer um ajuste fiscal moderado e coibir parte do ativismo dos bancos públicos, incluindo o BNDES”, diz o texto.

Desculpas. A divulgação pela imprensa do alerta do Santander gerou um mal-estar no banco. Em sua página principal da internet, a instituição colocou um comunicado se desculpando e dizendo que apenas 0,18% de seus clientes receberam esse tipo de extrato e que o texto não reflete a posição da instituição.

“O referido texto feriu a diretriz interna que estabelece que toda e qualquer análise econômica enviada aos clientes restrinja-se à discussão de variáveis que possam afetar a vida financeira dos correntistas, sem qualquer viés político ou partidário. Sendo assim, o Banco pede desculpas aos clientes que possam ter interpretado a mensagem de forma diversa dessa orientação, e reitera sua convicção de que a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento”, diz o banco no comunicado.

Planalto parte para o “Volta, Dilma Bolada” Brasília. Com medo de perder sua principal vitrine de repercussão nas redes sociais, emissários da campanha de Dilma Rousseff procuraram na última quinta-feira Jeferson Monteiro, criador do personagem “Dilma Bolada”, para resolver uma pendência financeira. O objetivo é persuadir Monteiro a recuar da decisão tomada na quarta-feira de suspender a página do perfil no Facebook, famosa pelas paródias simpáticas à petista. A página tem 1,5 milhão de seguidores na rede social – o perfil oficial da presidente tem pouco mais de 800 mil.

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