Encontros inusitados por Craig Brown

Obra do satirista britânico tem contos com exatas 1.001 palavras

iG Minas Gerais |

Craig Brown reuniu anotações sobre encontros de pessoas famosas
The Independent
Craig Brown reuniu anotações sobre encontros de pessoas famosas

SÃO PAULO. Oscar Wilde marca um jantar com Marcel Proust, mas tem um ataque de timidez e sai correndo ao descobrir que os pais do escritor francês também estavam presentes. Hitler é atropelado por um jovem nobre britânico em 1931, dois anos antes de subir ao poder e, sem se machucar, aperta cordialmente a mão do motorista após a trombada. Churchill invade sem querer o camarim de Laurence Olivier, achando que era o banheiro do teatro. Situações como essas – algumas delas hilariantes, outras reveladoras, sombrias ou emocionantes – são a matéria-prima de “Um por Um: 101 Encontros Extraordinários”, livro do satirista britânico Craig Brown que acaba de ser publicado pelo selo Três Estrelas (536 págs., R$ 59,90). 

Cada encontro é descrito em exatas 1.001 palavras; o personagem “coadjuvante” do primeiro encontro é o personagem principal do encontro seguinte com outra pessoa-e assim por diante, até o fim do livro, quando o círculo de encontros se fecha.

“Durante vários anos, eu escrevi uma resenha semanal de livros na imprensa britânica. Foi então que comecei a notar esses encontros curiosos em biografias, e comecei a fazer anotações e diagramas, tentando juntar essas pessoas famosas”, contou Brown. “Imaginei que seria possível fazer uma espécie de círculo, unindo a primeira pessoa à última. Demorou cinco anos, mas deu certo.”

Segundo ele, as 1.001 palavras são uma brincadeira com a necessidade de um tamanho exato para textos em jornais.

Além de traçar esboços da época dos encontros, de meados do século XIX até os nossos dias, a obra também lança luz insuspeita sobre as personalidades de grandes nomes da arte, da política e da literatura. “Nesses encontros, você vê que cada um deles é o herói de sua própria história, e às vezes a pessoa importante é tão afetada pelo zé-ninguém quanto o contrário”, afirma o autor.

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