Ela é mesmo bárbara

iG Minas Gerais |

“Para encontrar uma locação perfeita, não precisa ir muito longe. A nossa serra do Rola Moça, por exemplo, é incrível.”
João Viegas/divulgação
“Para encontrar uma locação perfeita, não precisa ir muito longe. A nossa serra do Rola Moça, por exemplo, é incrível.”

Com o rosto e o corpo que tem, a fotógrafa Barbara Dutra poderia – e deveria – ser modelo. Mas optou por ficar do outro lado, clicando e exercendo outras qualidades que esparrama pelo chão: inteligência, cultura e sensibilidade. Mulher moderna, de sorriso fácil e encantador, ótima amiga, reflexo natural de seu talento.

Barbara, como uma carioca, criada em fazenda, pode ser tão moderna como você?

Acredito que o bom gosto vem do berço e o interesse pela moda sempre esteve em minha família. Minha mãe foi proprietária e modelista de uma confecção no Rio, nos anos 1970/80, e minhas tias sempre tiverem muito bom gosto e olho clínico para se vestirem. Como se interessou por uma coisa tão eterna quanto a fotografia?

Depois da mudança do Rio de Janeiro para Rio Novo (interior de Minas), tive uma infância praticamente sem fotos, com exceção das férias. Minha mãe guardava duas câmeras compactas, mas que não funcionavam. Aos oito anos, fui com a câmera e pilhas, sem filme, a um desfile mirim na cidade. Quando disparava meus flashes, uma mãe me pediu para fotografar a filha na passarela. Com vergonha, fingi que tirava as fotos. Ali, já gostei da sensação de trabalhar com isso. Anos depois, morando em Juiz de Fora, surgiu na internet o Fotolog, um blog só de fotos. No Brasil, fui uma das primeiras a criar um perfil e, pelo interesse em aprimorar as imagens postadas, comprei minha primeira câmera digital. Meses depois, tinha uma semiprofissional e, desde então, não parei de clicar. Entre suas especialidades estão as ótimas fotos desta coluna. É possível fazer arte até em coluna social?

O formato da coluna social nos jornais ainda é muito enrijecido. Mas acredito que minha arte é deixar os fotografados à vontade, procurar seu melhor ângulo, sem perder a espontaneidade do momento. Principalmente quem não tem o hábito de ser fotografado se intimida quando uma câmera lhe é apontada. Por isso gosto de bater um papo com quem estou fotografando, para evitar que a figura do fotógrafo seja algo distante. No oceano da fotografia, qual sua praia favorita? Amo fotografar pessoas e situações que envolvam sentimento e emoção, do ensaio de um casal apaixonado – adoro fazer casamentos – a um batizado, sem discriminação. Acho mágico que meu trabalho eternize momentos importantes. Você viaja muito. Qual foi o destino mais cinematográfico até hoje?

Nas vezes em que fotografei fora do Brasil, me deparei com uma luz bem diferente e muito bonita. Amei fotografar em Nova York e também um casamento no hotel The Breakers, em Palm Beach. Qual o retrato do Brasil atual? Dolorido ou refletindo esperança?

Acredito que no meio. O Brasil já passou por períodos bem piores, de repressão política e cultural a crise econômica. Sou otimista, mas não diria que estamos esbanjando esperança. Acho os brasileiros muito pouco engajados politicamente e pouco patrióticos. Quem sabe, com as próximas eleições, nossa esperança “shine bright like a diamond”?

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