Primo do goleiro Bruno presta depoimento novamente em BH

Após fim das escavações em busca do corpo no local apontado pelo familiar de Bruno, ele voltou à delegacia

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Primo do goleiro Bruno Fernandes, Jorge Rosa Sales, afirmou nesta quinta-feira saber onde esta o corpo de Eliza Samudio
douglas magno
Primo do goleiro Bruno Fernandes, Jorge Rosa Sales, afirmou nesta quinta-feira saber onde esta o corpo de Eliza Samudio

Após prestar depoimento por quase três horas na noite desta quinta-feira (24), o primo do goleiro Bruno Fernandes, Jorge Luiz Rosa, volta a ser ouvido na tarde desta sexta-feira (25) no Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), no bairro São Cristóvão, na região Noroeste de Belo Horizonte. Ainda nesta sexta, foram feitas buscas com uma retroescavadeira no local onde supostamente estaria o corpo de Eliza Samudio, porém, elas nenhuma pista foi encontrada no lote, em Vespasiano, na região metropolitana da capital.

A Polícia Civil confirmou que o jovem está prestando depoimento no departamento novamente. De acordo com o chefe do DIHPP, delegado Wagner Pinto, o depoimento de Jorge não altera em nada o processo, uma vez que Bruno sabia de tudo o que estava acontecendo, ainda que não tenha ido ao local de ocultação do corpo. 

Em entrevista à O TEMPO, o advogado do goleiro, Francisco Simim, informou que eles já haviam entrado com o recurso contra a condenção de Bruno por ocultação de cadáver e pelo cárcere privado do Bruninho. "Entramos com o recurso antes deste depoimento do Jorge. Não aceitamos as condenações por que o Bruno é o pai do garoto e nem esteve no local de ocultação", defendeu Simim. 

Durante as buscas feitas nesta sexta, o buraco aberto pela máquina foi de cerca de quatro metros de profundidade, bem próximo a um coqueiro, como tinha apontado Rosa. Cerca de 30 policiais civis se envolveram na diligência. Segundo Wagner Pinto, o trabalho da polícia, que é checar a informação passada, foi feito. 

Ainda, de acordo com Pinto, Jorge concordou que a escavação poderia ser interrompida. Caso Rosa aponte um novo local onde o corpo de Eliza possa ter sido enterrado, uma nova busca pode ser feita. 

O não encontro da cadáver de Eliza teria deixado Rosa triste, de acordo com o advogado dele, Nélio Andrade, que destacou que mesmo sem o sucesso na operação, Rosa mantém a convicção de que o corpo foi colocado no terreno mostrado por ele em Vespasiano.

Entrevista à rádio

O familiar do goleiro revelou em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, que o corpo de Eliza estaria enterrado em um terreno próximo ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Jorge ainda teria contando que ela foi torturada e morta por asfixia na casa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano.

Ainda, segundo Rosa, o corpo foi enrolado em um lençol e colocado dentro de um saco lacrado. Rosa era menor de idade, na época do crime. Ele foi condenado a três anos de medidas sócio-educativas pelo envolvimento com o crime. "Ela não foi esquartejada. Só cortaram a mão dela. O corpo ficou inteiro", afirmou Rosa, acrescentando que o corpo foi transportado até o local no porta-malas do EcoSport que Bruno deu para a avó deles.

Rosa detalhou bem o local onde o corpo de Eliza foi deixado. "Fica próximo ao aeroporto. Antes de chegar ao local, passa um retorno, depois de três ruas, entra numa estrada de chão. É um lugar distante. Ela foi enterrada perto de um pé de coqueiro grande e único dentro do terreno. Mesmo se não tiver mais esse pé de coqueiro no local, eu sei onde ela (corpo de Eliza) está. O buraco onde ela foi enterrada foi feito por uma retroescavadeira para dificultar a localização do corpo", garantiu.

Durante a entrevista, Rosa falou ainda que só teria jogado terra sobre o corpo de Eliza e que ele, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola,  teriam enterrado Eliza às 0h30. Ele ainda afirmou que não recebeu dinheiro para participar do sequestro de Eliza. Na entrevista, ele também disse que o outro primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, que foi morto em 2012, teria sido assassinado por ter diferenças com Macarrão, para administrar o dinheiro de Bruno.