Rotina em estações: demora, brigas e usuários machucados

Reportagem visitou pontos do centro de Belo Horizonte e encontrou cenário caótico para passageiros

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

CIDADES. BELO HORIZONTE, MG.

Desorganizao no embarque e desembarque nas estacoes da Avenida Parana

FOTO: LINCON ZARBIETTI / O TEMPO / 23.07.2014
Lincon Zarbietti / O Tempo
CIDADES. BELO HORIZONTE, MG. Desorganizao no embarque e desembarque nas estacoes da Avenida Parana FOTO: LINCON ZARBIETTI / O TEMPO / 23.07.2014

Embora oficialmente uma das vantagens do Move em relação ao ônibus convencional seja o embarque ágil e fácil, o cenário tem sido de caos para quem precisa pegar os coletivos nas estações no centro de Belo Horizonte. Quatro meses após o início da operação do sistema, a reportagem acompanhou, durante o horário de pico, o embarque e desembarque em estações da avenida Paraná. Sem filas ou qualquer organização, discussões, brigas, pessoas machucadas e passando mal viraram rotina.

A estação do Move Metropolitano Tupinambás foi a primeira a ser visitada pela reportagem, às 17h dessa quarta. A linha mais procurada é a 520 Direta, com destino a Justinópolis, em Ribeirão das Neves. No período mais movimentado, entre 17h30 e 18h30, passageiros se empurravam para disputar espaço. Sem conseguir entrar, muitos precisam esperar vários coletivos passarem, chegando a perder o prazo para integração, de uma hora e meia. “Todos os dias isso acontece aqui. Não tem fila, e aí vira essa confusão. Temos que esperar vários ônibus para conseguir entrar”, contou o encarregado de forno Rivadávio Soares, 54.

Até 19h30, horário em que a movimentação de usuários diminuiu nos terminais, vários atritos foram sendo registrados. Em um deles estava a atendente de telemarketing Francielle Estefany Rodrigues, 20, grávida de cinco meses. Há quase duas horas tentando embarcar, acabou machucada em meio à confusão. “As pessoas não têm educação e me deram cotoveladas. Estou aqui desde 16h e não consigo entrar no ônibus porque não tem espaço”, reclamou, chorando.

A falta de prioridade para idosos, grávidas e pessoas com crianças é uma reclamação constante entre os passageiros. De acordo com os usuários, os funcionários das estações não organizam o embarque. No dia em que a reportagem esteve na estação, no entanto, dois funcionários tentaram controlar a entrada nos coletivos. Passageiros afirmaram que a atitude foi isolada.

Outro problema é a dificuldade para descer dos ônibus. Como os passageiros não deixam os usuários saírem para depois entrar, os problemas surgem. “O povo não deixa a gente sair, e até me deram beliscões”, contou o vendedor Márcio Marinho Souza, 22.

Na estação do Move municipal Carijós, a situação se repete, principalmente, no embarque da linha 51 Direta, com destino à Estação Pampulha. A estudante Liliane Viviane Batista, 31, só conseguiu embarcar no oitavo ônibus. “Eu sempre chego aqui 17h30 e só consigo sair 18h40. Os ônibus chegam, e não consigo embarcar”.

Usuários ainda contaram que, pouco antes de a reportagem chegar, uma mulher havia desmaiado em meio à multidão. Ela foi socorrida pelos passageiros e precisou voltar a se espremer para conseguir pegar o ônibus.

Justinópolis

Passageiros do Move Metropolitano afirmaram que os problemas se repetem na estação Justinópolis, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital. Lá, o tumulto maior acontece no horário de pico da manhã, a partir das 5h30. “É um empurra-empurra, e as pessoas não conseguem entrar nem vir sentadas”, disse a assistente comercial Miriam Félix de Santana, 33.

Especialistas

O professor de engenharia de transportes e trânsito da Fumec Márcio Aguiar acredita que a superlotação no Move é uma consequência dos vários obstáculos que o sistema enfrenta. “No horário de pico, os veículos enfrentam trânsito. Com isso, diminui a frequência das viagens e aumenta o número de pessoas nas estações”, afirmou. Ele destaca que a organização do embarque já deveria ter sido pensada durante o desenvolvimento do projeto do Move. “Algo fundamental é ter agentes treinados para o ordenamento das pessoas”.

Saiba mais Risco. Mesmo sem ônibus nas plataformas, as portas de embarque das estações abrem constantemente, oferecendo risco de queda aos usuários. Questionada sobre o problema, a Setop informou que solucionará o problema assim que detectado. Já a BHTrans disse que uma faixa amarela delimita o perímetro de segurança do passageiro. Paradores. Menos procuradas pelos usuários, as linhas paradoras também registram menos tumulto no embarque e desembarque. Na tarde dessa quinta, em alguns desses trajetos, os passageiros chegaram a formar filas. Metrô. No dia 19 de março deste ano, reportagem de O TEMPO já havia mostrado que as estações ficam lotadas, com usuários espremidos e se empurrando para embarcar nos vagões.

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