Cinquentões e empresários

Maioria dos postulantes a deputado federal é homem; idade mais comum é entre 50 e 54 anos

iG Minas Gerais |

Dinheiro. Segundo o secretário geral do PT, jovens têm dificuldade de conseguir financiar campanha
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados - 22.4.2014
Dinheiro. Segundo o secretário geral do PT, jovens têm dificuldade de conseguir financiar campanha

Brasília. Aos 52 anos e dono de uma escola preparatória de concursos no Distrito Federal, José Wilton Granjeiro Oliveira vai disputar pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados. Recrutado para o PSB no fim do ano passado pelo candidato a governador Rodrigo Rollemberg, Granjeiro retrata o perfil predominante entre os 6.820 candidatos às 513 cadeiras de deputado federal.

No pleito deste ano, quase 70% dos postulantes à Câmara são homens, 16,62% têm entre 50 e 54 anos e quase metade dos candidatos concluiu pelo menos um curso superior. A profissão mais comum dentre as declaradas à Justiça Eleitoral é a de empresário, com 631 candidatos – 9,29% do total de candidatos. O desencanto com a política e o alto custo das campanhas têm contribuído para a predominância desse perfil, avaliam políticos e estudiosos ouvidos pelo jornal “O Estado de S.Paulo”. A entrada de candidatos jovens nas corridas eleitorais, por exemplo, geralmente esbarra nas dificuldades de financiamento. “É muito difícil um jovem ter condições de arrecadar recursos”, disse o secretário geral do PT, deputado federal Geraldo Magela (DF), que agora concorre a uma das 27 vagas em disputa no Senado. Neste ano, por exemplo, a proporção de pessoas com menos de 34 anos que brigam por uma vaga na Câmara pouco avançou em relação à eleição geral anterior. Representavam 11,8% em 2010 e, quatro anos depois, somam 13,4%. “São duas as realidades possíveis para a composição do Congresso. Ou os movimentos sociais se mobilizam de tal modo que eles possam preencher parte das vagas, ou elas vão ser ocupadas por aqueles que querem se dar bem”, afirmou Antonio Augusto de Queiroz, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que há 28 anos edita publicações sobre o Congresso. Renovação. O pleito de 2014 deve ter como marca a maior renovação na Câmara desde 1990. Apenas 398 deputados são candidatos à reeleição, ou seja, no mínimo haverá 115 novas caras na Casa a partir do ano que vem. Se for levada em consideração a média histórica de reeleição – de 60% –, serão outros 160 novatos, totalizando 275 estreantes. Mas essa renovação não representa necessariamente uma mudança no perfil dos novos parlamentares, se comparado com a eleição de 2010. Naquele ano, também prevaleceram os empresários entre os candidatos ao Legislativo federal. 

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