Paisagens percebidas sem a intervenção humana

Mariannita Luzzati exibe em “No Land” obras em que ela busca apagar os vestígios urbanos dos cenários naturais

iG Minas Gerais | carlos andrei siquara |


Em pinturas (foto) e desenhos, Mariannita Luzzati recria ambientes
Reprodução
Em pinturas (foto) e desenhos, Mariannita Luzzati recria ambientes

Entre viagens por Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, Mariannita Luzzati, que gosta de fotografar paisagens, começou a perceber o incômodo visual provocado por algumas construções urbanas. Logo, ela passou a imaginar como aqueles cenários retratados seriam, caso não houvesse nenhum daqueles traços de intervenção humana. Surge disso a série de trabalhos a serem vistos na mostra “No Land”, montada na galeria Celma de Albuquerque.

“Isso me levou a pesquisar fotos antigas, da época do império, que mostravam como alguns daqueles lugares eram no passado antes do avanço das cidades. Depois dessa etapa, eu iniciei o trabalho em cima das imagens que fotografei durante os deslocamentos pelas cidades desses três Estados”, conta Mariannita Luzzati.

Ela utiliza as fotografias como referências para pinturas e desenhos. Em comum, as obras criam ambientes, às vezes, irreconhecíveis ao perderem os traços visíveis de ocupação urbana. “Eu uso a foto como um ‘start’ do trabalho. Só depois que fotografo alguma paisagem, eu produzo a pintura sobre lona. Toda essa interferência acontece nesse segundo momento, mas nas fotografias eu não mexo em nada”, explica Luzzati.

Ao aplicar essas modificações, a artista reconhece que cria territórios imaginários, marcados pela relação paradoxal entre a localização e o estranhamento. “Se você remove dali o que há de urbano, tudo se descaracteriza e pode se referir a qualquer lugar. Ao mesmo tempo, vem essa vontade de querermos reconhecer os espaços, pois nós temos essa necessidade de nos localizar”, observa.

Já em um dos vídeos, ela mira o mar e ali também reconhece diálogos com suas pinturas. “Eu noto que eu filmo o que pinto, quando comparo as minhas criações”, diz.

Serviço. Mostra “No Land”, na galeria Celma de Albuquerque (rua Antônio de Albuquerque, 885). Visitação: Até 31/7, de 2ª a 6ª, das 9h30 às 19h; sáb., das 9h30 às 13h. Entrada franca.

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