Movimentos e experiências das artes

Grupos vizinhos ao Instituto, que formam a rede Caminho das Artes, farão seis apresentações neste fim de semana

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Verticalidade. Companhia Suspensa apresenta o espetáculo “Órbita”, no sábado, no Instituto Inhotim
Julia Panades
Verticalidade. Companhia Suspensa apresenta o espetáculo “Órbita”, no sábado, no Instituto Inhotim

A ideia de movimento é algo bastante caro às artes cênicas. Seja na dança, no teatro, no circo ou na performance (ou gêneros híbridos), é o movimento que conduz o espectador pelas narrativas construídas em um espetáculo. Ao buscar a diversificação e o aprofundamento das experiências de seus visitantes, o Instituto Inhotim encontrou nessas expressões artísticas um bom desdobramento para suas ações. Neste fim de semana, o público presente poderá conferir a programação do Caminho das Artes.

“É um intercâmbio que procura enriquecer a visita e (permitir ao visitante) viver a arte e a natureza de maneira tão única e tão rica como o museu proporciona, mas não apenas pelas artes visuais, que o museu já oferece. O objetivo é usar esse espaço para outras vertentes”, garante Morgana Rissinger, coordenadora de programação cultural do Instituto Inhotim.

Caminho das Artes é uma rede de cinco coletivos artísticos, que estão localizados nas redondezas do Instituto Inhotim, entre os bairros residenciais e condomínios localizados no caminho de Belo Horizonte a Nova Lima. São quatro grupos de dança: Cia Suspensa; Primeiro Ato Cia de Dança; Dança Multiplex; e Quick Companhia de Dança – e um grupo de teatro, o Armatrux. “A Rede já existe há um tempo e nós já fizemos algumas ações aqui com eles, no passado. Quando o (Antônio) Grassi assumiu a direção artística do museu, ele sugeriu que nós retomássemos e trouxéssemos essa programação para cá”, ressalta Rissinger.

Entre os espetáculos que serão apresentados amanhã está “InstHabilidade”, do Primeiro Ato – sobre a habilidade de lidar com a instabilidade e, em contraponto, a instabilidade presente em nossas habilidades, com concepção e direção coreográfica de Alex Dias e Suely Machado.

Outro é “Armatrux, a Banda”, do Armatrux, um musical de bonecos cuja direção musical e trilha sonora são assinadas por John Ulhôa, do Pato Fu, e Bob Faria.

E, ainda, “Órbita”, que dá continuidade à pesquisa de dança vertical da Cia Suspensa. O espaço é dividido, entrecortado, tensionado, atravessado por um plano vertical de quatro metros de comprimento por dois de altura. Amarradas a duas cordas que as prendem ao teto, duas pessoas tentam se equilibrar.

No domingo, o público confere novamente “InstHabilidade” e, depois, “Parquear”, do Dança Multiplex. A proposta de intervenção urbana e ocupação de parques e áreas arborizadas da cidade é levada pelo grupo aos jardins do Inhotim. As dançarinas Margô Assis, Renata Ferreira, Thembi Rosa e Kênia Dias respondem pela criação. Por fim, o público poderá ver “Tessituras”, da Quick Cia. de Dança, performance cênica que desenvolve relações permeáveis entre corpo, sons, música, voz e espaço.

Além dos muros. Desde a abertura de suas portas, em 2006, o Inhotim busca diversificar suas ações e, com isso, ampliar o leque de seus frequentadores. Além do público “iniciado” apreciador de arte contemporânea, ele estabelece conexões com professores e escolas públicas da região metropolitana.

“Temos um projeto de arte educação muito bom, premiado. Desde muito cedo, as crianças frequentam o espaço. Fora isso, o Inhotim é muito reconhecido pelo público, as pessoas têm curiosidade e acabam voltando. Essa experiência persiste nas pessoas, não que elas passem a entender a arte contemporânea imediatamente, mas procuram saber quem são os artistas e voltam, e isso cria uma rotina com o museu”, avalia a coordenadora do espaço.

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