‘Gordofobia’ é mais um desafio para quem está acima do peso

Discriminação contra obesos começa na infância e impacta até no trabalho

iG Minas Gerais | Andréa Juste |

Repulsa. A fotógrafa norte-americana Haley Morris-Cafiero criou o projeto “Wait Watchers” após flagrar um olhar de repulsa de um homem enquanto trabalhava
Divulgação Haley Morris-Cafiero
Repulsa. A fotógrafa norte-americana Haley Morris-Cafiero criou o projeto “Wait Watchers” após flagrar um olhar de repulsa de um homem enquanto trabalhava

“Aquele gordo ali”, uma expressão que não é difícil de ouvir no dia a dia, resume em ponto de referência uma pessoa considerada acima do peso. Mais que a carga de uma série de problemas de saúde relacionados à obesidade, os gordinhos lidam com o preconceito da sociedade. A “gordofobia” ganhou destaque nas redes sociais nos últimos dias a partir do compartilhamento de um artigo assinado por Ruth Manus, publicado nesta semana no jornal “O Estado de S. Paulo”.

No texto “Racista, machista e homofóbico jamais. Gordofóbico tudo bem?”, a colunista agradece por conviver “com pessoas que, em sua grande maioria, não emitem nem toleram comentários racistas, homofóbicos, machistas ou discriminatórios em geral”. Mas, em seguida, ela critica que essas mesmas pessoas tecem falas desagradáveis sobre “aquele gordo” ou “uma gorda aí”. Ruth Manus lembra ainda que 50% da população brasileira está acima do peso, segundo o Ministério da Saúde, mas que nem todo mundo está nessa situação “porque quer”. “É preciso parar de olhar para o obeso como fracassado. Ele é obeso porque existe uma predisposição genética. Temos que parar de observar o que ele come, mas por que ele come; se está deprimido, cansado. Ou seja, se perguntar a raiz disso”, afirma a nutricionista Patrícia Cruz, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso). Para isso, ela recomenda que o problema seja encarado como doença, portanto, o paciente não é culpado de sua condição. “(O preconceito) é algo que já começa na infância. É comum crianças acima do peso que não conseguem entrar em grupos para fazer educação física e a própria criança obesa não quer participar da atividade, tem vergonha”, diz. Patrícia ressalta que a discriminação surge até no trabalho. “Dizem: ‘se ele é gordo é porque não tem disciplina’”, exemplifica, destacando que “peso não tem relação com caráter”. O paciente acima do peso pode ser “metabolicamente saudável”, não ter colesterol alto, hipertensão ou diabetes. Entretanto, alguns pacientes têm quadros de dores nas articulações, além de problemas de depressão. “Nesses casos, isso não é um quadro saudável”, destaca a nutricionista, ressaltando a importância da adoção de hábitos saudáveis de alimentação e atividade física.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave