Última homenagem ao mestre

Velório de Ariano Suassuna reúne autoridades, como a presidente Dilma Roussef, celebridades e anônimos

iG Minas Gerais |

Adeus. Cerimônia ocorreu na sede do governo pernambucano, onde escritor foi enterrado ontem
Eduardo Braga / SEI
Adeus. Cerimônia ocorreu na sede do governo pernambucano, onde escritor foi enterrado ontem

Recife. O corpo do poeta, escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna foi enterrado no final da tarde de ontem com homenagens de “cavaleiros medievais”, personagens de sua obra. O escritor de 87 anos teve um AVC hemorrágico na última segunda-feira (21), foi operado no mesmo dia, e morreu na tarde de quarta-feira, no Recife. O corpo foi velado por quase 20 horas na sede do governo de Pernambuco e, no fim da tarde, seguiu em cortejo em um caminhão do Corpo de Bombeiros. Motociclistas acompanharam o carro e pequenas multidões se formaram no trajeto até o cemitério Morada da Paz, em Paulista (Grande Recife), para aplaudir o artista. 

O caixão com o corpo de Suassuna chegou ao cemitério às 16h48, sob uma salva de tiros e aplausos. Cinco duplas de cavaleiros que simbolizavam mouros e cristãos do livro “O Romance d'A Pedra do Reino” cruzaram suas lanças sobre o caixão, assim como faziam sobre Suassuna quando ele chegava montado às cavalgadas em São José do Belmonte (PE).

Além de familiares, uma multidão de fãs acompanhou a despedida de Suassuna. Um dos netos de Suassuna leu dois poemas escritos pelo autor, um em homenagem a mulher, Zélia, e o outro, ao pai. Uma neta agradeceu a mobilização *das pessoas que foram se despedir do autor. Vez ou outra, alguém gritava “Viva Ariano Suassuna!”, arrancando aplausos. O grito de guerra do Sport Club do Recife, time pelo qual torcia Suassuna, foi entoado pelo público emocionado. Às 17h21, sob chuva de pétalas de rosas brancas e vermelhas, o o corpo de Suassuna foi enterrado.

Sons de orquestra de maracatu rural e estandarte do bloco carnavalesco Galo da Madrugada permearam o velório do escritor. Diversas autoridades participaram da cerimônia. Dilma Roussef, que cancelou a agenda de compromissos oficiais no Rio de Janeiro para comparecer ao velório. Populares que homenageavam Suassuna cantaram o hino do Bloco Lírico Carnavalesco Madeiras do Rosarinho, cujo refrão diz “nós somos madeira de lei que cupim não rói”. A presidente deixou o local pouco antes de o féretro sair.

O cineasta Guel Arraes, amigo de Ariano e diretor da série que virou filme “Auto da Compadecida”, disse que Suassuna “foi um grande humanista e um homem de ação”. Luiz Fernando Carvalho anunciou que vai adaptar mais uma obra do escritor e dramaturgo para a TV, “A História de Amor de Fernando e Isaura”, que deve dar origem a uma minissérie na Globo em 2015. “É um tesouro, é um cometa raro”, disse sobre o amigo

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