Que dia a dia é esse?

iG Minas Gerais |

LINCON ZARBIETTI
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As pessoas estão simplesmente tentando voltar para suas casas após mais um dia de trabalho. Deveria ser fácil. Mas não é. O ir e vir de quem vive em Belo Horizonte (e em tantas outras capitais brasileiras que repetem essa cena diária) não poderia ser tão desgastante. Revolta é uma palavra leve para quem vive essa rotina. Acho que a mais adequada seria descaso.  O que se vê pelas estações do Move, no centro de Belo Horizonte, é um amontoado de gente brigando pelo que deveria ser básico: o espaço no transporte público. Idosos, jovens, adultos, mulheres grávidas e deficientes físicos seguem o fluxo da incerteza: vão conseguir entrar?  Oficialmente o novo transporte viria para revolucionar. Pelo menos foi assim o prometido. A ideia era que o embarque fosse fácil e rápido. Todos torciam para que o calvário do horário de pico chegasse ao fim ou fosse, no mínimo, menos doloroso. Lá se foram quatro meses desde a inauguração do novo sistema... e a multidão de usuários segue apertada e ainda desacredita. Fico pensando em como é a vida da mulher que desmaiou e foi socorrida por outros passageiros ali mesmo na estação. Em como teria sido o dia dela. Se viveu problemas no trabalho, para onde foi logo no começo da manhã. Imagino o quanto estava ávida para chegar ao seu lar, tomar um banho e descansar.  Dentro desses ônibus seguem vidas. Gente de todo tipo que tem suas histórias, suas famílias, seus destinos. Bons ou ruins, todos mereciam um transporte melhor. No meio do caos, também falta educação. É na loucura que o homem vira bicho. Prioridade para idosos, grávidas e pessoas com crianças? Esqueça! A grande maioria só consegue olhar para sua própria mazela. É como se só existisse uma meta: chegar ao destino.  A conquista do objetivo, muitas vezes, é longa. Quem não consegue disputar no corpo ou ser carregado pelo fluxo precisa esperar. Às vezes, mais de duas horas. Alguns passageiros, com isso, acabam perdendo o prazo para pegar o veículo da integração (que é de uma hora e meia). Passam um, dois, três ônibus... E a moça só conseguiu embarcar no oitavo.  Atualmente, sigo confortável no meu carro pelas ruas engarrafadas de Belo Horizonte. Impaciente, mas agradecida por, no mínimo, estar sentada. Olho pela janela e vejo, no ônibus ao lado, inúmeros passageiros de pé. Já estive assim muitas e muitas vezes. Não estar lá agora não diminui a minha indignação.  Um transporte público de qualidade é o mínimo que uma gestão pública tem a oferecer à população. Vivemos dias de lamento e caos. 

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