Junho foi o pior mês na criação de empregos

Segundo o Caged, 577 postos de trabalho foram fechados na cidade; indústria e construção foram os setores que puxaram para baixo o índice

iG Minas Gerais | José Augusto |

Após apresentar um saldo negativo em maio na criação de empregos, com o fechamento de 515 vagas, o mês de junho foi ainda pior em Betim.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) constataram que a cidade perdeu 577 postos de trabalhos, resultando no pior índice do ano. Juntando os dois últimos meses, foram 1.092 postos de trabalho fechados.

Segundo o levantamento, esse saldo negativo se deve ao maior número de demissões (3.945) do que de admissões (3.368). Com isso, esse foi o segundo pior resultado de um mês de junho desde 2003. Apenas em 2012 o saldo foi inferior (-713).

A indústria continua como o setor que apresenta os piores resultados. Foram demitidos 1.463 trabalhadores, contra 964 admitidos, apresentando um resultando em um saldo negativo de 499.

A construção civil foi o segundo setor com pior resultado no mês, com 59 demissões a mais do que admissões. Para se ter uma ideia do atual cenário de empregos na cidade, apenas os setores da administração pública e da extração mineral apresentaram resultados positivos, com saldos de 29 e 4, respectivamente.

No acumulado do ano, a criação de empregos formais em Betim também apresentou uma queda significativa. Entre janeiro e junho de 2013, o saldo foi de 2.247. Neste ano, esse número caiu para 474, uma queda de 78,9%.

Somente em 2014, 27.197 pessoas já foram mandadas embora de seus postos de trabalho, contra 27.671 admissões.

Tendência

De acordo com especialistas, a tendência é que esses resultados ruins continuem neste ano. Para o professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Reginaldo Nogueira, não há muitas perspectivas para que os números melhorem.

“Essa queda que estamos vendo na geração de emprego é natural, devido ao baixo crescimento econômico do país. Com isso, há menos investimentos”, explicou.

Ainda segundo ele, cidades industriais como Betim tendem a sentir bastante essa retração. “A indústria vive um dos piores períodos de sua história. Com a queda no setor, outras áreas tendem a cair também, pois há mais demissões. Consequentemente, as vendas no varejo diminuem também, gerando uma bola de neve”, disse.

A dificuldade em conseguir crédito é outro fator que prejudica a economia. “A inadimplência está alta, pois, durante muito tempo, se pautou o crescimento econômico na capacidade de consumo das famílias”.

País

De acordo com o Caged, foram criados 25.363 empregos com carteira assinada no mês de junho no país, número 78,5% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Foi o pior resultado em 16 anos. “A curto prazo, não vejo perspectivas de melhora. A política econômica do país tem que mudar para conseguir atrair a confiança do investidor do setor privado e retomar os investimentos em infraestrutura, dentre outras ações”, conclui Nogueira.

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