População sofre com surto de pernilongos no inverno

Segundo especialista, desequilíbrio ambiental e das paisagens urbanas explica a proliferação antecipada dos insetos, que aparecem com mais incidência no verão

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Vendas de raquetes eletrônicas cresceram nas últimas semanas
Alex Brandão
Vendas de raquetes eletrônicas cresceram nas últimas semanas

 

A infestação de pernilongos durante este inverno tem despertado estranheza entre os betinenses, já que, como muitos sabem, esses insetos não suportam baixas temperaturas e, por isso, aparecem com mais incidência no verão.    Em função disso, a reportagem de O Tempo Betim conversou com o entomólogo – profissional especialista em insetos – Henrique Patrocki na última semana quem explicou que o surto ocorre devido ao desequilíbrio das condições ambientais e das paisagens urbanas no país. “Os estágios de vida de um pernilongo reduzem sua atividade metabólica no inverno, devido à perda de energia para a manutenção da temperatura interna do corpo. No entanto, em alguns lugares, a degradação ambiental é tanta que as águas dos rios e das nascentes sofrem um aumento de temperatura. E basta ter reservatórios para que as larvas se proliferem”, explica Patrocki, que também é coordenador do curso de ciências biológicas da PUC Minas em Betim. “Paralelamente a isso, a ausência de chuva também pode desfavorecer os predadores, como os peixes, mas isso é um fator menos relevante. O mais determinante é o aumento da temperatura e da umidade do ar”, completa.   Segundo ele, as fêmeas, que precisam de sangue para produzir seus ovos, são as responsáveis pelas dolorosas picadas e pelas manchas avermelhadas que se espalham pelo corpo. “Só elas picam, pois se alimentam de sangue. Os machos comem a seiva e o néctar de algumas plantas”, frisa o especialista.   Sobre os métodos mais eficientes para se livrar da presença dos pernilongos, ele cita um bem simples e antigo: deixar as portas e as janelas dos imóveis fechadas, principalmente durante os horários de maior atividade dos insetos, no começo do entardecer e do amanhecer. O uso de telas também é recomendado, assim como o de óleos e essências à base de citronela. “Os repelentes agem confundindo os pernilongos, que são atraídos pelos odores emanados por suas presas. Os insetos também não gostam do cheiro dos inseticidas e fogem”, destaca Patrocki, ao ressaltar que o fumacê é um ótimo aliado nos trabalhos de combate aos criadouros dos mosquitos.    Quanto ao ventilador e ao ar-condicionado, o especialista explica que, além de combaterem o calor, eles ajudam a se proteger contra picadas. “As baixas temperaturas de um ambiente com ar-condicionado não agradam ao pernilongo, que gosta de calor e umidade. E o ventilador desestabiliza o voo do mosquito, impedindo que ele se aproxime”.   Incômodo O incômodo causado pelos pernilongos tem provocado mudanças de comportamento na população. Para ficar livres dos insetos, muitos apelam para um arsenal de produtos. A dona de casa Raquel Faria conta que já ficou noites sem dormir por causa do zumbido deles. “O barulho incomoda muito. Para dormir, passo repelentes no corpo e, ainda, ligo o ventilador”, diz.   A servidora pública Virgínia Leite também reclama do incômodo que esses insetos têm causado. “De dia, eles atacam no serviço e, à noite, em casa. Por causa disso, não dá para usar saias ou vestidos. Uma preocupação que tenho é com a dengue, pois o Aedes aegypti e esses pernilongos são muito parecidos”, frisa.   Enquanto uns reclamam da infestação desses insetos, outros comemoram. A vendedora Solange Fernandes de Souza conta que, nas últimas duas semanas, ela tem vendido, por dia, cerca de dez raquetes eletrônicas em sua banca, localizada na avenida Amazonas, no centro. “Os pernilongos incomodam, mas acabam sendo lucrativos. Por isso, espero que eles continuem atacando nos próximos dias”, diz Solange, bem-humorada.   Ela vende a raquete a R$ 15, mas, em alguns pontos da cidade, o produto é comercializado a R$ 20.

 

Resposta

A prefeitura informou que realiza a limpeza de rios e córregos, incluindo a retirada do mato, concomitante com a aplicação de larvicida biológico. O executivo ressaltou, ainda, que o carro fumacê é utilizado apenas em casos específicos, uma vez que a inseticida é mais agressiva. “No momento, a prefeitura faz uso de uma bomba motorizada portátil utilizada para aplicação de inseticida que combate insetos em ruas e domicílios”. 

 

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