Primo do goleiro Bruno já está na capital e presta depoimento

Jovem presta depoimento ao delegado Wagner Pinto, no Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Advogado declara que cliente realizou entrevista sem seu conhecimento
REDE GLOBO / PRODUÇÃO
Advogado declara que cliente realizou entrevista sem seu conhecimento

Chegou ao Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP), no bairro São Cristóvão, na região Noroeste de Belo Horizonte, o primo do goleiro Bruno Fernandes, Jorge Luiz Rosa, que afirmou nesta quinta-feira (24), em entrevista à uma rádio, que sabe a localização do corpo de Eliza Samudio.

Segundo as informações da Polícia Civil (PC), o jovem chegou ao departamento por volta das 17h acompanhado de seu advogado, Nélio Andrade. Desde então, o rapaz presta depoimento ao delegado Wagner Pinto, que só dará entrevistas após colher todas as informações necessárias. Ainda de acordo com a corporação, somente com base no depoimento do primo de Bruno é que será decidido se as buscas na região indicada pelo rapaz serão iniciadas. 

O familiar do goleiro revelou em entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, que o corpo da modelo estaria enterrado em um terreno próximo ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Jorge ainda teria contando que ela foi torturada e morta por asfixia na casa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Vespasiano.

Ainda, segundo Rosa, o corpo foi enrolado em um lençol e colocado dentro de um saco lacrado. Rosa era menor de idade, na época do crime. Ele foi condenado a três anos de medidas sócio-educativas pelo envolvimento com o crime. "Ela não foi esquartejada. Só cortaram a mão dela. O corpo ficou inteiro", afirmou Rosa, acrescentando que o corpo foi transportado até o local no porta-malas do EcoSport que Bruno deu para a avó deles.

Rosa detalhou bem o local onde o corpo de Eliza foi deixado. "Fica próximo ao aeroporto. Antes de chegar ao local, passa um retorno, depois de três ruas, entra numa estrada de chão. É um lugar distante. Ela foi enterrada perto de um pé de coqueiro grande e único dentro do terreno. Mesmo se não tiver mais esse pé de coqueiro no local, eu sei onde ela (corpo de Eliza) está. O buraco onde ela foi enterrada foi feito por uma retroescavadeira para dificultar a localização do corpo", garantiu.

Durante a entrevista, Rosa falou ainda que só teria jogado terra sobre o corpo da modelo e que ele, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola,  teriam enterrado Eliza às 0h30. Ele ainda afirmou que não recebeu dinheiro para participar do sequestro de Eliza. Na entrevista, ele também disse que o outro primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, que foi morto em 2012, teria sido assassinado por ter diferenças com Macarrão, para administrar o dinheiro de Bruno.

Rosa garantiu que Bruno não sabia que Eliza seria morta e que o sonho dele é revelar onde está o corpo para a mãe dela poder enterrá-la.

Veja o vídeo da entrevista: 

 

Relembre o caso

Depois de um breve relacionamento com o ex-jogador do Flamengo, Bruno Fernandes, a modelo Eliza Samudio engravidou. Depois do nascimento de Bruninho, o goleiro se negou a registrar a criança e o casal começou a se desentender.

Eliza foi levada até o sítio do atleta na região metropolitana de Belo Horizonte e morta. Bruno e outros dois comparsas foram condenados pelo crime no final de 2012. Atualmente ele está detido na Penitenciária de Segurança Máxima de Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais.

Condenações

O goleiro Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão em regime fechado por ter sido o mandante do assassinato de sua ex-amante, Eliza Samudio. A sentença foi proferida por sete jurados na madrugada do dia 8 de março de 2013, Dia Internacional da Mulher.

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos (Bola) foi condenado no dia 27 de abril de 2013 pela morte e ocultação do cadáver de Eliza. Bola cumpre pena no Presídio de São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foi condenado no dia 24 de novembro de 2012 pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado no caso de desaparecimento e morte de Eliza Samudio. Somadas, as penas chegam a 23 anos anos, mas com o atenuante da confissão, foi reduzida a 15 anos, em regime fechado. O braço-direito de Bruno Fernandes foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

 

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