Promotor diz que Cowan arcará com a demolição da alça norte

Empresa responsável pela obra se prontificou a arcar com os custos, porém, se for provado que a culpa não foi dela, valor poderá ser pedido de volta

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Trabalhos de remoção dos escombros da alça que caiu continuam
FERNANDA CARVALHO
Trabalhos de remoção dos escombros da alça que caiu continuam

O promotor Eduardo Nepomuceno, do Ministério Público, informou durante a coletiva de imprensa feita na tarde desta quinta-feira (24) que a Cowan, empresa responsável pelas obras do viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou no início de julho, se prontificou a arcar com os custos da demolição da alça norte, que também estaria ameaçada por erros no projeto executivo da obra, segundo levantamento feito por especialista contratado pela empresa. 

Durante a reunião, o promotor afirmou que o prejuízo ao patrimônio desse viaduto foi calculado em aproximadamente R$ 10 milhões, porém, o prejuízo pode ser ainda maior se for verificado superfaturamento ou outros erros. "O município não pode pagar duas vezes pela mesma obra, uma vez que já contratou o serviço e pagou por ele", disse Nepomuceno. 

O promotor explicou que se reuniu na manhã desta quinta com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) e também com a Cowan e um Termo de Audiência foi assinado pelas partes. Foi durante o encontro que a empresa se prontificou a arcar com os custos da demolição, do projeto de demolição e da remoção das famílias próximas ao acidente. "Porém, se mais para frente ficar provado que a empresa não teve culpa, ela poderá pedir esse dinheiro de volta, que é o que chamamos de de ação de regresso", explicou.

Ainda de acordo com Nepomuceno, alguém será responsabilizado pela tragédia, no entanto, neste momento ainda não existem provas suficientes para se falar em culpados. "O importante é resolver logo. Como existe um laudo feito pela empresa de que a outra alça pode cair e não há outros pareceres que o contestem, optamos pela demolição para não colocar o pessoal ainda mais em risco", defendeu o promotor.

Investigação

Durante a coletiva de imprensa, o promotor Nepomuceno ainda afirmou que as obras de mobilidade urbana da capital já vinham sendo investigadas desde 2012. "Já haviam outros erros, como o piso asfáltico na avenida Cristiano Machado", afirmou durante o encontro. 

Segundo ele, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (CREA/MG) está auxiliando o Ministério Público na apuração destas irregularidades já constatadas.