Imóveis vão ser desocupados

Cadastramento das 186 famílias que precisarão deixar suas casas começou a ser feito nessa quarta

iG Minas Gerais | Luiza MuzzI |

Insatisfação. Moradores criticaram ontem o “jogo de empurra” feito entre prefeitura e empresas
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Insatisfação. Moradores criticaram ontem o “jogo de empurra” feito entre prefeitura e empresas

Vão ser removidos de seus apartamentos nos próximos dias os moradores dos residenciais Antares e Savana, próximo ao viaduto na região de Venda Nova, na capital, que desabou no último dia 3, matando duas pessoas e ferindo outras 23. A evacuação completa do local foi decidida pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil após a Cowan, empresa responsável pela construção do viaduto Batalha dos Guararapes, ter divulgado nessa terça que a segunda alça da estrutura também corre risco de cair. Na tarde dessa quarta, teve início o cadastramento das 186 famílias que precisarão deixar seus lares. No entanto, ainda não há data certa para a remoção ocorrer.  

A notícia foi recebida com apreensão pelos moradores. Muitos deles temem pela segurança de seus imóveis e já passam a noite na casa de parentes. Algumas famílias garantem que não vão sair, e outros reclamam dos transtornos que a mudança vai trazer. “Foi com suor que eu e meu marido compramos isso aqui, e é muito doloroso ter que sair. Mas como ficar dentro de casa com dois filhos, arriscando nossa vida?”, ponderou a técnica de segurança Sabrina Dayrell, 27, moradora do residencial Antares. A vizinha Senita Meireles de Oliveira, 43, reclamou que só soube da remoção quando a Defesa Civil informou à imprensa. “Cada dia é uma coisa. Não dá para acreditar em nada do que falam”.

Moradora do Savana, Marlene Soares, 41, conta que, por medo, já está dormindo na casa da mãe. “Estamos apertados lá, estou tomando remédio para dormir, mas aqui ficaríamos inseguros”. Já o tatuador Paulo Henrique Tavares, 34, que trabalha em casa, quer ficar no apartamento. “Já suportei um viaduto caindo, posso suportar o outro”.

Garantias. A Defesa Civil, por sua vez, garante que toda a estrutura necessária será oferecida aos moradores, que vão se hospedar em hotéis da região, inclusive com a disponibilização de alimentação e transporte escolar. Segundo o órgão, as despesas serão custeadas pela Cowan. A construtora, no entanto, nega a informação. Diretor da Unidade Construtora da Cowan, José Paulo Toller disse que a informação do órgão não procede.

Os cerca de 400 alunos do colégio particular Helena Bicalho, localizado ao lado dos residenciais Antares e Savana, também terão que deixar o entorno do viaduto. Segundo a Defesa Civil, as aulas serão remanejadas para outro imóvel. Nessa quarta pela manhã, 15 pessoas carregavam cartazes protestando contra a situação. 

Consol pede avaliação maior A empresa Consol informou que vai entregar uma nota para a Prefeitura de Belo Horizonte ainda hoje questionando a decisão de demolir o viaduto com base apenas em um laudo da construtora Cowan. Eles defendem que a prefeitura ouça outras fontes especializadas e avalie melhor a situação antes de acatar a sugestão dada pelo parecer. O diretor Maurício de Lana afirma que técnicos da Consol negam que exista um erro no projeto e diz que eles adotam metodologia diferente de cálculo.

Justificativa A Defesa Civil reafirme que não há risco de queda imediata da segunda alça do viaduto, mas explicou que a decisão pela retirada dos moradores ocorreu graças ao parecer divulgado pela Cowan nessa terça. “Como deixar as pessoas dormirem ao lado de um viaduto que a empresa diz poder cair a qualquer hora? A gente não pode deixar de considerar o pavor causado neles”, disse o coronel Alexandre Lucas, coordenador do órgão. A Defesa Civil vai ampliar o perímetro de segurança em torno do local do acidente.

Mudança Moradores que optarem por ir para casa de parentes receberão auxílio para transporte, segundo a Defesa Civil. Já os que forem para hotéis vão ter hospedagem, alimentação, lavanderia e transporte escolar custeados. Famílias com crianças terão prioridade para ficar em hotéis mais próximos. “Se fosse urgentíssimo, a Defesa Civil não estaria fazendo com tranquilidade. Não há motivo para pânico”, disse o coronel Alexandre Lucas.

Cadastro O cadastramento de moradores está sendo feito por 40 assistentes sociais da prefeitura. Apesar de ainda não estarem definidos data e local para onde eles serão levados, a expectativa da Defesa Civil é que a evacuação aconteça “o mais rápido possível”. Técnicos estão contando as famílias e vendo se há crianças, idosos, portadores de necessidades especiais e animais. O levantamento dos bens deve ser feito em um segundo momento.

Garantias Presidente da Associação de Moradores das Avenidas Pedro I, Vilarinho e Adjacências, a advogada Ana Cristina Drumond pretende se reunir com o Ministério Público para solicitar medidas que garantam os direitos dos moradores. Segundo ela, muitos estão apreensivos de perder os bens ao deixar os apartamentos. “Agora que o viaduto caiu, vem à tona toda a porcaria feita aqui em três anos. Vamos cobrar que alguém seja responsabilizado”, disse. Em sinal de protesto, os moradores farão manifestação neste sábado, às 9h.

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