Mais um obstáculo a ser vencido

Após ser aprovada no Ciência sem Fronteiras, estudante mineira tem sonho ameaçado

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Malas prontas. A dona de casa Rosemary e a filha Aline: espera angustiante por resposta, pois a viagem está marcada para 15 de agosto
MOISES SILVA/ O TEMPO
Malas prontas. A dona de casa Rosemary e a filha Aline: espera angustiante por resposta, pois a viagem está marcada para 15 de agosto

Após ser aprovada, e faltando menos de um mês para a embarcar para uma viagem em que realizaria o sonho de estudar no exterior, a estudante mineira Aline Castro, 20, foi surpreendida pela resposta negativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pelas bolsas de intercâmbio do programa Ciência sem Fronteiras (CSF).

Portadora da atrofia muscular progressiva tipo 2 – uma doença degenerativa de origem genética –, a estudante depende da ajuda de um acompanhante para realizar todas as suas atividades diárias. “Quando falaram que eles não teriam condições de custear a minha viagem para acompanhá-la fiquei chocada e frustrada”, disse a mãe da estudante, a dona de casa Rosemary Castro, 54.

A estudante do sexto período de ciências biológicas da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) conta que já havia sido aprovada em outro edital do programa, mas resolveu adiar a viagem. Dessa vez, ela se preparava para viajar no dia 15 de agosto para estudar por um ano e seis meses na Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos.

“Meu sonho era ter uma oportunidade de estudar fora, ter novos conhecimentos e novas experiências. Não imaginava que ia dar esse ‘problemão’ todo. Nos meus planos, pensava em estudar muito e aproveitar ao máximo para, na volta, tentar aplica todo o conhecimento que obtive lá, aqui”, diz Aline. Segundo ela, parte do dinheiro para custear a hospedagem, a passagem de ida e os gastos nos três primeiros meses já foram depositados.

Mesmo depois de tentar contato com a Capes, até agora a estudante não teve nenhuma resposta oficial do órgão, além de uma ligação. “nessa terça uma diretora chamada Denise me ligou pedindo desculpas. Ela me falou para ficar tranquila porque eles estão olhando o meu caso e vão resolver, pois sabem que eu necessito, mas que devo esperar”, diz Aline.

Por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa, a Capes informou ao O TEMPO que “como se trata de um caso excepcional, a questão foi levada à Presidência da autarquia, que já encaminhou a solução à instituição parceira no exterior”. “A Capes em nenhum momento se pronunciou oficialmente contrária a solicitação da estudante”, diz a nota.

De acordo com Rosemary, o que mais surpreendeu a família é que, antes mesmo da ligação do órgão, a estudante recebeu um contato da universidade norte-americana. “Como ela vai ficar no alojamento da universidade, eles entraram em contato indicando o departamento de deficiência da instituição para que listasse tudo o que precisa, e informando que a escola tem toda estrutura para receber qualquer tipo de deficiência”, diz.

Para Aline, o erro começou pelo edital do programa. “Fala que os estudantes não podem levar nenhum acompanhante, mas em nenhum momento cita os casos de necessidades especiais. Isso tem que ser revisto”, aponta.

Amigos fazem campanha no Facebook A universitária Aline Castro diz que seu caso ganhou repercussão nas redes sociais após ela dividir com amigos a sua tristeza com a possibilidade de não conseguir viajar. “Quando recebi a negativa, eu contei para alguns amigos do grupo Biologia Sem Fronteiras do Facebook, e eles começaram a publicar na internet. A partir daí, muitas pessoas começaram a me procurar, como advogados, promotores de justiça e até mães falando para que eu não desista”, conta. Rosemary, a mãe, espera que “a resposta venha rápido para acabar com a ansiedade, que já tem feito a filha até passar mal”, diz.

Dia a dia Quando está em período letivo, Aline conta com a mãe durante todo o dia. “Ela me deixa na PUC de manhã e almoçamos juntas. Em seguida, ela me leva ao banheiro e, depois, me coloca deitada para esticar as pernas. Não posso ficar muito tempo sentada. Depois, no intervalo da aula, ela me dá um lanche e me busca à noite”, diz.

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