Sem clube, Jaqueline desabafa e afirma que Brasil não valoriza atletas

Experiente ponteiro está sem time desde que deixou o Molico/Osasco para dar à luz o seu primeiro filho

iG Minas Gerais | Da Redação |

Divulgação/FIVB
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Bicampeã olímpica, a ponteiro Jaqueline não poupou críticas ao comentar a situação que tem enfrentado no Brasil. Após deixar o Molico/Osasco para dar à luz o primeiro filho dela com outro atleta do voleibol brasileiro, o ponteiro Murilo, ela ainda não assinou com nenhum clube brasileiro.

Nesta quarta-feira, após o último treino antes da viagem à Itália, onde disputará o Grand Prix de vôlei com a seleção brasileira, ela comentou a situação e se mostrou muito chateada com a falta de oportunidades. 

"É muito ruim. Você imagina sair a lista das jogadoras e colocarem: “Jaqueline -  sem clube”. É horrível isso. Nunca passei por isso na minha vida. Mas, infelizmente, estou passando. A gente sabe que essa é a nossa realidade aqui no Brasil. Infelizmente, a gente não tem ninguém que possa nos ajudar. Então, o negócio é fechar os olhos e deixar as coisas acontecerem. Já estou cansada de ficar reclamando. Estou cansada de ouvir as pessoas falando: “Jaque chorona”, ou então 'Sheilla chorona', 'Thaisa chorona'... A gente cansou. Vai todo mundo embora mesmo e depois todo mundo repensa o que vai fazer", disparou Jaqueline, na atividade realizada no Centro de Desenvolvimento de Saquarema, no Rio de Janeiro. 

Após o nascimento de Arthur, a atleta esperava voltar ao clube paulista, o que não ocorreu por causa da mudança no sistema do ranking oficial da Superliga feminina. A partir da alteração, os clubes só poderiam ter até duas atletas de pontuação sete, a maior do índice. Com isso, outras campeãs olímpicas, como Sheila, Thaísa e a própria Jaqueline, vivem um impasse em relação ao destino no Brasil. 

A alternativa pode ser a transferência para clubes do exterior em ligas também muito fortes, como Rússia, Turquia, entre outras.  Mas Jaqueline não pensa em deixar o país neste momento, já que o filho dela está com sete meses. 

"O futuro a Deus pertence. Eu recebi muitas propostas fora do Brasil. Fiquei até muito feliz. Mas tenho um filho pequeno, e meu marido está no Sesi-SP. Então, estou repensando algumas coisas. Talvez no fim do ano eu vá para algum canto. Não posso ficar sem jogar", explicou. 

Ao término da entrevista, Jaque endureceu o discurso e falou em desvalorização das estrelas do esporte no Brasil. 

"É engraçado como a gente é valorizado lá fora. Aqui no Brasil a gente não tem essa valorização. Eu fico muito triste com isso. Em vez das equipes abrirem as portas, elas estão fechando.  Eles estão diminuindo a valorização. Então, vai todo mundo embora mesmo. Infelizmente, o campeonato no Brasil pode ficar sem suas grandes estrelas", concluiu. 

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