Por causa de estiagem, Pará de Minas cancela eventos na cidade

Essa é a pior seca que a cidade enfrenta em anos, segundo a Copasa; prefeitura e companhia adotaram medidas para driblar o problema mas moradores reclamam

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Por causa do racionamento de água em Pará de Minas, na região Central do Estado, o prefeito da cidade, decidiu cancelar todos os eventos previstos para os próximos meses. Segundo a Copasa, entre janeiro e março deste ano choveu apenas 30% da média histórica na cidade. Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (23) o prefeito Antônio Júlio anunciou a decisão.

Em maio já haviam sido cancelados eventos como o Encontro Estadual dos Idosos e o Encontro Regional de Bandas. Neste mês, foi cancelado o Forró do Pará e, previstos para agosto, também não irão ocorrer o Encontro Nacional de Motos Hot Cycles Moto Rock 2014, nem a tradicional Festa Estadual do Frango.

Já para setembro, mês do aniversário da cidade, o prefeito anunciou que as comemorações serão mais contidas. “Pará de Minas vive uma crise de abastecimento de água nunca vista em toda sua história. Não há previsão de chuvas e agora é hora de unirmos forças para amenizar a falta de água no município. Temos a obrigação de sermos solidários com os que estão sofrendo e continuar nossas ações para a solução deste grave problema. Com relação aos eventos particulares e das igrejas, estes nós não pretendemos nem temos o direito de impedir. Estamos cancelando apenas as festas públicas. Inclusive as festividades de setembro na cidade serão bem restritas”, explicou.

O secretário de Cultura e Comunicação da prefeitura, Lu Pereira, também participou da coletiva. “Nós sabemos que a cidade gosta de boas festas, mas este não é um momento certo para fazê-las. A secretaria municipal de Cultura e Comunicação Institucional está apoiando a administração municipal neste momento crítico vivido pela população. Vários eventos já estavam com suas programações já definidas, mas todos entenderam este momento de crise”, disse.

Segundo o secretário de Cultura e Comunicação Institucional, Lu Pereira, reforçou o momento de todos trabalharem unidos. “Nós sabemos que a cidade gosta de boas festas, mas este não é um momento certo para fazê-las. A secretaria municipal de Cultura e Comunicação Institucional está apoiando a administração municipal neste momento crítico vivido pela população. Vários eventos já estavam com suas programações já definidas, mas todos entenderam este momento de crise”, conta.

O que está sendo feito

Segundo a Copasa, Pará de Minas está passando pelo período mais prolongado e drástico de estiagem nos últimos anos. Como reflexo dessa crise hídrica, a Estação de Tratamento de Água (ETA) tem apresentado uma vazão média de 65 litros por segundo, quando, em uma situação normal, essa vazão seria superior a 200 litros por segundo.

Ainda por meio de nota, a companhia informou que para minimizar o efeito da falta de chuvas, ela está adotando várias medidas emergenciais para manter o abastecimento na cidade. “Uma delas é o regime de manobras por meio do qual o sistema de abastecimento de água vem sendo operado desde setembro de 2013. O objetivo é garantir que todos os imóveis recebam água em intervalos alternados”, esclareceu.

Além disso, nesta quarta-feira, 24 caminhões-pipa reforçam o abastecimento na cidade (principalmente nas partes mais altas), além de atenderem escolas, creches e hospitais. A essa ação acrescenta-se a busca por água por meio de poços profundos, que já somam 50 perfurações no município. Desses, 15 foram produtivos e 14 já estão em operação, fornecendo cerca de 70 litros de água por segundo para o sistema de abastecimento de Pará de Minas. Outro poço, de 8 litros por segundo, está sendo equipado esta semana para, em seguida, ser interligado ao sistema de abastecimento de água da cidade. E mais um poço profundo está sendo perfurado neste momento.

A Copasa também informou que a solução definitiva para a situação do abastecimento de água em Pará de Minas será o transporte de mais de 200 litros por segundo de água bruta do rio Paraopeba para a Estação de Tratamento de Água da cidade. O projeto do empreendimento já foi concluído em 2008 e a outorga para o uso dessa água já foi solicitada pela companhia, entretanto, o início das obras depende da renovação do contrato de concessão, vencido em 11.10.2009, entre o município e a Copasa.

A população

Os moradores da cidade estão passando por problemas desde o início do ano. É o que conta Cláudio Humberto Vieira, de 62 anos, que é morador da cidade há 20 anos e nunca passou por problema semelhante. "De maio para cá começaram a fazer esse racionamento, que é necessário por causa da falta de chuvas. No começo faltava água em um dia e no outro tinha. Depois davam água por um dia e tiravam por dois. O problema é que chegou até a oito dias sem uma gota", reclamou.

Ele é morador do bairro Dona Tunica, mas afirma que outras regiões chegaram a ficar até 14 dias sem água. "O que está acontecendo já está virando problema de saúde, porque como que você fica com uma casa com os sanitários da forma que ficam? Até cinco dias as pessoas se viram, mas oito já não tem como. O problema é que a distribuição não está sendo feita com inteligência", reclama Vieira.

Sônia Aparecida Pinto, de 50 anos, é moradora de Pará de Minas há cinco anos e já pensa em voltar para Belo Horizonte. Ela é moradora do bairro Padre Libério, onde os moradores fizeram uma grande manifestação há mais de uma semana. "Depois do protesto melhorou um pouco. Ficamos quase 10 dias sem água e precisamos ir para a rua para poder ter o direito de ter água em casa", afirmou a mulher.

A filha dela está de resguardo com filho recém nascido em casa e, para tomar banho durante os dias sem água, era necessário comprar água mineral. "Cheguei ao cúmulo de ter que colocar sacola na mão e tirar as fezes do vazo para conseguir ficar dentro de casa. Ninguém consegue viver desse jeito", protestou Sônia. 

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