Famílias que moram ao lado de viaduto serão removidas nesta quinta

Alça que ficou de pé, após queda de viaduto, ainda não tem data para ser demolida; área de isolamento na região será ampliada

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas/Luiza Muzzi |

A demolição da alça do viaduto Batalha dos Guararapes, na avenida Pedro I, no bairro São João Batista, na região de Venda Nova, que se manteve de pé após a queda da estrutura, no início do mês, que matou duas pessoas e deixou 23 feridas, ainda não tem data prevista para acontecer, segundo informou na manhã desta quarta-feira (23), o coronel Alexandre Lucas da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC), mesmo com a possibilidade de colapso.

Além disso, o órgão decidiu aumentar a área de isolamento na região para garantir mais segurança aos trabalhadores no local. Ainda, as 186 famílias do entorno, que moram nos condomínios Antares e Savana serão removidas para hotéis ou casa de familiares. O cadastramento das famílias começará na tarde desta quarta e as pessoas devem começar a deixar suas casa nesta quinta-feira.

“Como a gente pode deixar eles dormirem do lado de um viaduto que a própria empresa (Construtora Cowan) diz que pode cair a qualquer hora. Seria uma irresponsabilidade permitir que eles ficassem”, afimrou Lucas.

Os moradores estão apreensivos com as mudanças e reclamam de não terem sido comunicados da remoção anteriormente. “Tudo o que nós conseguimos aqui foi com muita luta, e agora estamos preocupados de ter que deixar tudo e ir para um hotel. Vai atrapalhar a rotina, não sei nem se o meu neto vai conseguir ira para aula”, desabafou a dona de casa Irani da Silva, 55, moradora do bloco 6 do condomínio Antares.

Empresa admitiu falha em projeto

A construtora Cowan, responsável pela execução da obra do viaduto Batalha dos Guararapes afirmou que falhas na concepção do projeto executivo causaram a tragédia. A Consol, empresa responsável por fazer o projeto executivo, informou que ainda avaliará os resultados apresentados nessa terça-feira (21) e somente depois se posicionará sobre o assunto. 

No projeto entregue pela Sudecap, o aço projetado para os esforços à flexão do bloco foi de 50,3 cm², enquanto o necessário seria 685 cm². O projeto ainda não considerava o aço para esforços ao cisalhamento e à torção, que deveriam ser, respectivamente, 184,1 cm² e 10,2 cm². Outro erro apontado pelos estudos feitos foi na carga de trabalho adotada na estaca (de 80 cm de diâmetro e 20 metros de profundidade).

O projeto apontava uma carga de trabalho de 250 toneladas, enquanto o necessário deveria ser 467 toneladas, ou seja, as estacas deveriam ser mais profundas, ou ter um diâmetro maior. Um aumento no número de estacas também resolveria o problema, conforme o parecer técnico. 

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