Um tributo à viola brasileira

João Araújo recebe Rolando Boldrin para celebrar 10 anos do projeto Viola Urbana no Grande Teatro do Sesc Palladium

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Trajetória. Trabalho desenvolvido por João Araújo desde 2004 completa uma década neste ano e inspira o lançamento de um novo CD
Glaucia Goncalves
Trajetória. Trabalho desenvolvido por João Araújo desde 2004 completa uma década neste ano e inspira o lançamento de um novo CD

Desde a incorporação da guitarra elétrica, baixo e bateria por duplas e bandas brasileiras, segmentos da música popular aos poucos se afastaram da tradição sertaneja centrada na viola. Isso não provocou, no entanto, o desaparecimento do instrumento que vem percorrendo caminhos diversos desde a década de 1970 até o presente. Um pouco desse percurso pesquisado por João Araújo há uma década será apresentado por ele, que realiza um show ao lado do ator, músico e apresentador Rolando Boldrin, amanhã, no Grande Teatro do Sesc Palladium.

“Eu vou mostrar algumas das vertentes mais relevantes que identifico nessa pesquisa. A ideia é apontar a influência da viola na música e na cultura brasileira. Há, assim, diferentes momentos. Rolando Boldrin, por exemplo, inspira uma parte que eu dedico atenção aos programas de TV voltados ao gênero. Em outra, eu foco a viola em seu estado mais simples, como aquela tocada por Pena Branca e Xavantinho”, diz João Araújo.

“Eu homenageio outros artistas da viola caipira, das serestas, e recordo a presença do instrumento também na música clássica, com as peças de Heitor Villa-Lobos”, resume João Araújo.

Algumas surpresas, de acordo com ele, ainda estão previstas para a apresentação. A interpretação de composições autorais é uma delas. “Estamos preparando um repertório legal com muito carinho. Vou aproveitar para fazer o lançamento de um novo projeto que já foi apadrinhado por Rolando Boldrin e queremos que o público venha e curta muito”, afirma o músico.

Prestes a produzir o terceiro CD da série desenvolvida a partir desse vasto estudo, Araújo conta que, quando começou essa iniciativa, em 2004, já tinha em mente a necessidade de levar a média de uma década para fazer o levantamento pretendido.

“Eu previa a gravação de três álbuns e um DVD. Disso, apenas o terceiro disco ainda não foi concluído, mas já está aprovado nas leis de incentivo federal e estadual. A proposta está em fase de captação. Eu calculava realizar tudo isso numa média de dez a 12 anos, e foi o que de fato aconteceu”, reforça.

Diferentemente das duas primeiras gravações, o violeiro sublinha que no futuro trabalho, previsto para sair até o início de 2015, ele vai abrir espaço para suas próprias criações. “Acho que aos poucos estou chegando a uma nova fase. Não estou só me apresentando como intérprete, mas estou mais à vontade para lançar o meu projeto como autor e compositor para esse instrumento”, revela Araújo.

Um traço que mantém, no entanto, é o interesse em trazer aos ouvidos dos apreciadores de hoje usos da viola ainda pouco notados por eles. “Há a intenção de ressaltar informações de menor conhecimento do público, como artistas que as pessoas talvez esqueçam ou não sabem que já foram violeiros, além da versão desse instrumento para a música erudita, que pode ser melhor observada”, detalha.

Norteado, portanto, pela ideia de tornar mais familiar à plateia um meio musical que já esteve mais presente na canção brasileira, o espetáculo conta com conversas entre Araújo, Boldrin e os presentes.

“Certamente vamos fazer alguns comentários, mas nada muito longo, contextualizações breves, porque cada música selecionada está ali por sua importância histórica. Boldrin chega completando com alguns causos, toca viola e dividimos o palco de maneira espontânea”, explica Araújo.

Ao refletir por que a viola, apesar de perder espaço ao longo do tempo, não foi extinta, e, ao contrário, atualmente, ao seu ver, vem crescendo, o músico credita à representatividade que ela conquistou na cultura brasileira. “A viola é uma sobrevivente. Mesmo quando os músicos adotam o modelo country dos Estados Unidos, ela não some porque conquistou aqui uma linguagem própria que a diferencia, por exemplo, do seu uso em Portugal, de onde veio”, conclui.

Agenda

O quê. Show de João Araújo e Rolando Boldrin

Quando. Amanhã, às 20h

Onde. Grande Teatro do Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro)

Quanto. Ingressos de R$ 60 (inteira) a R$ 80 (inteira)

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