Uma grande promessa

iG Minas Gerais |

acir galvao
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É cedo ainda para comemorar. Mas o primeiro capítulo de “Império” dá indícios de que se trata de uma trama consistente, com direção segura, grandes personagens e interpretações convincentes. Tudo o que tem faltado ao noveleiro, carente de uma boa trama desde “Avenida Brasil”.   É só o primeiro capítulo, e tudo pode descambar, já se sabe (vide “Amor à Vida”, que teve uma estreia brilhante e depois tudo caiu por terra), e Aguinaldo Silva, autor de “Império”, embora seja um dos maiores dramaturgos da TV brasileira, pisou na bola em “Fina Estampa”, seu último trabalho. Aguardemos. O que se pode dizer, portanto, é que “Império” é uma grande promessa. Começou por apresentar apenas os sujeitos principais da trama, sem se preocupar com o resto. Com isso, pôde mostrar com mais força e profundidade o que originou a história que está prestes a ser contada. Nos poucos mais de sete minutos que ficou no ar, Alexandre Nero mostrou ser a escolha correta para viver o protagonista, o comendador José Alfredo, um homem que veio do nada e se tornou milionário. Assim como foi acertada a seleção de Chay Suede para interpretar o personagem quando jovem. Coube ao bonito e talentoso ator a difícil tarefa de apresentar um personagem cheio de complexidade, que se apaixona pela mulher do irmão, prepara uma fuga com ela que não dá certo e acaba fazendo um amigo que vai mudar sua vida para sempre (isso além de matar um homem). E Suede fez como se deve.  Mas quem brilhou mesmo foi Marjorie Estiano, como Cora. O autor já disse que a personagem será a grande vilã – ao lado de Lília Cabral – da trama. E o que ela mostrou no capítulo de segunda é que nem de longe vai lembrar Nazaré Tedesco, de “Senhora do Destino”, a mais famosa vilã de Aguinaldo Silva, atrapalhada e engraçada. Cora é amarga, manipuladora, autoritária, responsável por impedir que a irmã, Eliane (Vanessa Giácomo), fuja com seu grande amor e cunhado, José Alfredo, irmão de Evaldo (Thiago Martins), o marido. Assim como Suede, Marjorie Estiano também tinha uma tarefa difícil pela frente, já que sua sucessora, que vai viver Cora na segunda fase, é Drica Moraes. A responsabilidade é grande. Mas se a Cora de Drica tem tudo para conquistar o público, a de Marjorie marcou presença. A partir de amanhã, começa a segunda fase de “Império”, quando vão surgir os novos personagens e subtramas. Resta saber se Aguinaldo Silva terá fôlego para manter a consistência do que ele vem chamando de novelão ou vai se perder em personagens caricatos, pobres dramaturgicamente, e historinhas inverossímeis. Bagagem para isso o autor tem. A torcida é para que ele não decepcione, como fez o veterano Manoel Carloso, com sua inacreditável “Em Família”, e volte aos bons tempos, quando criou tramas e personagens inesquecíveis, como fez em “Roque Santeiro”. 

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