Empresas aéreas cancelam voos a Israel após ataque do Hamas

Após falha do sistema de segurança, EUA proibiram viagens de companhias norte-americanas ao país

iG Minas Gerais |

Proteção. Palestinos escondem corpo de vítima dos olhares da imprensa após ataque aéreo israelense para proteger sua dignidade
Hatem Moussa
Proteção. Palestinos escondem corpo de vítima dos olhares da imprensa após ataque aéreo israelense para proteger sua dignidade

Tel Aviv, Israel. Num sinal de crescente cautela sobre voos em zonas de combate, companhias aéreas dos Estados Unidos e da Europa cancelaram nessa terça seus voos para Tel Aviv depois de um foguete ter caído perto do Aeroporto Internacional de Ben-Gurion – o principal do país.  

As decisões das dez empresas aéreas foram tomadas dias depois de um avião da Malaysia Airlines ter caído após ter sido atingido por um míssil, no leste da Ucrânia, matando todos os 298 ocupantes da aeronave (confira as empresas que cancelaram voos abaixo).

Após a medida adotada pelas aéreas norte-americanas, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) proibiu todas as empresas do setor do país de viajarem para Tel Aviv por 24 horas. A Agência de Segurança Aérea Europeia (Easa, na sigla em inglês) vai divulgar um boletim até nesta quarta que deve refletir a decisão norte-americana.

Os israelenses combatem militantes do Hamas na Faixa de Gaza pela terceira vez em cinco anos. Segundo a porta-voz policial Luba Samri, o foguete de nessa terça foi o que caiu mais perto do aeroporto Ben-Gurion desde o início da nova fase do conflito.

Aéreas mudam de atitude. Especialistas em aviação e em legislação disseram nessa terça que as companhias aéreas estão agora fazendo sua própria avaliação de risco, tanto no que diz respeito à segurança dos passageiros quanto para evitar que sejam consideradas negligentes no caso de um acidente.

O consultor de aviação Robert Mann disse que as companhias aéreas estão se tornando mais proativas após o desastre com o voo da Malaysia Airlines (leia mais na página 25). “Isso está forçando cada empresa, cada operadora, a fazer sua própria avaliação de risco tendo em vista a situação geopolítica”, afirmou ele.

Jonathan Reiter, importante advogado especialista em acidentes aéreos, disse que voar para um aeroporto após ele quase ter sido atingido por um foguete pode ser usado para mostrar que a companhia aérea é negligente. Isto explica por que as empresas estão suspendendo seus serviços para Israel. “Eu tenho certeza de que há a preocupação humana também”, disse Reiter. “Mas eu acho que as aéreas sentem que é inteligente pecar pela cautela, porque é seu ônus provar que estão fazendo todo o possível para evitar lesões e mortes.”

O Ministério dos Transportes de Israel pediu que as aéreas revertam suas decisões e afirmou que estava tentando explicar que o aeroporto é “seguro para pousos e decolagens”. “O aeroporto é seguro e completamente protegido. Não há motivos para que empresas interrompam seus voos e premiem o terror”, disse o ministério em comunicado, que indicava que a paralisação aérea era o objetivo do Hamas.

Soldado desapareceu em Gaza Tel Aviv. O Exército de Israel declarou nessa terça que um de seus soldados está desaparecido após um confronto na Faixa de Gaza. Não há informações se ele está vivo ou morto. Nessa segunda, o grupo Hamas afirmou que capturou um outro soldado de Israel, o que foi negado pelo governo. No passado, o país pagou um preço muito alto para recuperar seus soldados. Em 2006, o Hamas sequestrou um membro do Exército de Israel e o manteve em cárcere privado. Sua libertação foi negociada em 2011, em troca de mais de mil prisioneiros palestinos.

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