Pluralidade nos documentários

Festival É Tudo Verdade chega a Belo Horizonte com a exibição de 11 longas a partir de amanhã, no Oi Futuro

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

“Gasoduto”. Longa mostra como a tubulação Trans-Siberiano transformou a vida dos russos
É tudo verdade / divulgaçao
“Gasoduto”. Longa mostra como a tubulação Trans-Siberiano transformou a vida dos russos

Prestes a completar duas décadas, o Festival É Tudo Verdade está cada vez mais robusto, exibindo documentários de todos os lugares do mundo, sejam eles atuais ou antigos, sob a perspectiva de mostrar obras que explorem as potencialidades do gênero.

Prova disso, são filmes tão diferentes – que, em comum, compartilham elogios – presentes na programação da 19º edição do festival. Ao todo, 77 filmes de 26 países distintos foram exibidos em São Paulo. Destes, 11 fazem parte da itinerância gratuita do evento que chega amanhã a Belo Horizonte, no Teatro Oi Futuro.

“É impossível para todo grande festival itinerar com a totalidade de seu programa. Pesam nisso a disponibilidade de cópias, a agenda de convidados, os custos da operação. É um privilégio podermos apresentar anualmente ao menos alguns dos destaques em algumas cidades”, justifica o diretor do festival e crítico de cinema, Amir Labaki.

O número reduzido de obras que chegam aqui, no entanto, preserva o norte do festival. Entre elas, o vencedor da competitiva nacional. “Homem Comum”, de Carlos Nader. A obra é um relato profundo Nilson de Paula, um caminhoneiro que o diretor acompanhou, em 1996, e sua família. Durante o período, turbulências envolvendo morte, doença e esperança cruzam o destino desse homem e, tais nuances são expostas pela lente de Nader. “Trata-se inequivocamente de um dos mais arrojados filmes do ano, em qualquer gênero”, opina Labaki.

Outro destaque é o campeão da competição internacional. “Jasmine”, do francês Alain Ughetto, é a reconstrução de uma história de amor com a ajuda de filmes super-8, animação argila, fotografias e cartas que rememoram o relacionamento do diretor com uma iraniana.

Obras da fase documental de Shohei Imamura, cineasta japonês vencedor de duas Palma de Ouro, também serão exibidas. Sobre elas, Labaki afirma que a abordagem contemporânea dada pelo diretor às obras rodadas há mais de três décadas chama atenção. “‘Um Homem Desaparece’ (1967) é uma investigação que joga com as fronteiras entre documentário e ficção. Por sua vez, ‘Karayuki-san: A Fabricação de Uma Prostituta’ (1975) traz explicitamente o próprio Imamura para o corpo do filme, interagindo com suas personagens”, comenta Labaki.

A expectativa do diretor do festival é grande. Para ele, em Belo Horizonte, a receptividade ao festival é positiva assim como tem sido com documentários no cenário comercial. “Um número muito maior de documentários nacionais têm chegado regularmente às salas de cinema, no mínimo um terço das estreias brasileiras dos últimos cinco anos. São cerca de 40 lançamentos anuais hoje, contra uma média de dois quando começamos o festival há quase duas décadas”, compara. “O público também tem crescido, mas em proporção ainda menor. Faltam mais mecanismos de apoio à distribuição, exibição e promoção do documentário brasileiro”.

Homenagem. A programação da versão do festival por aqui inclui um bate-papo entre Labaki e Helena Solberg, homenageada na retrospectiva nacional do evento, no sábado, às 17h. Em seguida, será lançado o livro sobre os 50 anos de carreira da cineasta. “Helena Solberg: Do Cinema Novo ao Documentário Contemporâneo” é um desdobramento da tese de doutorado da jornalista Mariana Tavares.

“Ela sempre tratou de grandes temas, como ditadura, justiça social e feminismo. O mais interessante é que ela não aborda os temas de forma panorâmica, ela sempre individualiza os personagens e, no decorrer do processo, descobre informações fundamentais”, afirma Mariana.

Fruto de quatro anos de entrevistas e análise visceral das 15 obras da cineasta, o livro é um reconhecimento ao trabalho da diretora. “Helena é uma das principais cineastas em atividade no mundo. Há quase meio século. ela desenvolve uma obra de rara inquietude formal, em documentário, mas também em ficção”, comenta Labaki.

De Helena, serão exibidos no festival o documentário sobre o regime militar no Brasil “A Conexão Brasil” (1982-93) e a ficção “Vida de Menina” (2004).

Programação

Dia 24, quinta-feira

20h: “Homem Comum”

Dia 25, sexta-feira

16h: “Jasmine”

18h: “Gasoduto”

20h30: “20 Centavos”

Dia 26, sábado

16h: “A Conexão Brasileira”

18h: “Um Homem Desaparece”

20h30: “A Fabricação de uma Prostituta”

Dia 27, domingo 13h: “Vida de Menina”

16h: “Retorno A Homs”

18h: “Ai Wei Wei – O Caso Falso”

20h: “Aldeia De Alao”

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