Preto no branco

iG Minas Gerais |

Reprodução/Youtube
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No começo desta semana, solicitei em um táxi em uma cooperativa. Passados uns 20 minutos, qual foi meu espanto ao ver estacionar um Corolla, muito novo e em impecável estado de conservação, na cor preta. Preta? Isso mesmo. O motorista me vendo ali, parado esperando, logo me perguntou se fui eu o autor do chamado. Ressabiado, perguntei logo: “Este táxi é normal?”. Ao confirmar a minha suspeita, afirmando que apenas a pintura na cor preta o diferenciava de seus pares, embarquei.  Logo, José Darlan, o motorista, foi explicando: “Estes carros são novos na praça e entraram recentemente em circulação para que, durante a Copa do Mundo, os turistas e hóspedes de hotéis com diárias mais elevadas tivessem à sua disposição, parados na porta desses estabelecimentos, um automóvel mais confortável, mais novo, maior e que, mesmo assim, não tivesse preço de bandeirada mais alto que o dos convencionais, de cor branca. E para diferenciar, a escolha recaiu em uma pintura de cor diferente. Por isso, o preto”, detalhou, em pormenores, o motorista.  Darlan ainda me contou que, como o dele, outros 90 carros, todos similares, como Fiat Linea e Honda Civic, engrossam a frota que oferece mais pelo mesmo preço dos demais. Então contei a ele que eu – mesmo me considerando uma pessoa razoavelmente bem-informada – não sabia desse novo serviço de táxi em Belo Horizonte. No que o motorista emendou: “Você e muitos outros não estavam sabendo. Às vezes, passo em lugares onde é evidente a presença de mais do que um passageiro aguardando um táxi e eles ficam inibidos, e não fazem sinal para parar. O problema é que lançam a novidade, mas não divulgam”, se queixou. E isso não é tudo. Segundo José Darlan, simultaneamente a BHTrans disponibilizou outras 60 unidades do Fiat Doblò adaptadas para o transporte de pessoas com deficiências, especialmente cadeirantes. Todas as unidades contam com uma rampa elétrica que se eleva para colocação da cadeira de rodas no táxi. E, ainda pior que o receio dos clientes em pegar o táxi “preto”, esses Doblòs são de inteiro desconhecimento dos potenciais usuários de táxi, que imaginam ser exclusivamente para o transporte de pessoas com dificuldades de locomoção. Dessa forma, são quase 150 novos carros que rodam na cidade disponíveis para realizar qualquer tipo de corrida e que não estão com toda a sua potencialidade em utilização. Então, questionei sobre a grande procura por táxis depois da implantação da Lei Seca, que acabou expondo problemas como a dificuldade em encontrar um carro em certos momentos do dia ou da noite que até então eram menos percebidos. “Depois da licitação, no ano passado, que liberou 750 novas concessões, incluindo esses pretos e os Doblòs adaptados, o problema diminuiu bastante”, explicou. Chegamos ao destino e, na hora de pagar a corrida, a dificuldade com o troco me fez perguntar porque esses automóveis não dispõem das tão comuns máquinas de cartão, ainda que tenham seu uso limitado à função débito. Darlan adiantou que é uma questão de pouco tempo para que essa comodidade de pagamento seja democratizada, e muitas cooperativas estão em contato com empresas do ramo para viabilizar a operação por cartão magnético.

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