Consol fez projetos de pelo menos outros quatro viadutos

Projeto do Move Antônio Carlos/Pedro I tem extensão de 17 km, sendo 8 km no trecho da avenida Antônio Carlos e 9 km no trecho da avenida Pedro I

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

A empresa Consol, que fez o projeto do viaduto Batalha dos Guararapes, que desabou no começo do mês, também foi responsável pela elaboração de projetos para a construção de ao menos outros quatro viadutos da avenida Pedro I, no contexto da implantação do Move da capital. Conforme a página da Prefeitura de Belo Horizonte na internet, a empresa trabalhou no estudo para a construção do Batalha dos Guararapes, que caiu no último dia 3, e também dos elevados nas avenidas Monte Castelo e João Samaha, do viaduto B, na avenida Portugal, e do viaduto Montese, na mesma avenida. O projeto do Move Antônio Carlos/Pedro I tem extensão de 17 km, sendo 8 km no trecho da avenida Antônio Carlos e 9 km no trecho da avenida Pedro I. A Consol não se pronunciou sobre os outros viadutos. A Cowan, responsável pela construção de outras dez estruturas na região, disse que vai realizar uma revisão nos projetos das obras.

Troca de acusações

Na tarde desta terça-feira (22), a construtora Cowan afirmou, em entrevista coletiva, que falhas na concepção do projeto executivo, de responsabilidade da Consol, foram as responsáveis pela tragédia.

Segundo o parecer dos técnicos, não está claro no projeto a concepção adotada no dimensionamento do bloco, que deveria ter sido considerado flexível e dimensionado como viga, considerando os esforços à flexão, ao cisalhamento e à torção. "O bloco foi dimensionado com um décimo do aço que deveria ter para equilibrar o peso do pilar e do viaduto sobre as estacas. Como não tinha esse aço, o peso ficou todo em cima de duas estacas", disse o calculista Catão Francisco Ribeiro, contratado pela Cowan, durante a coletiva.

No projeto entregue pela Sudecap, o aço projetado para os esforços à flexão do bloco foi de 50,3 cm², enquanto o necessário seria 685 cm². O projeto ainda não considerava o aço para esforços ao cisalhamento e à torção, que deveriam ser, respectivamente, 184,1 cm² e 10,2 cm². Outro erro apontado pelos estudos feitos foi na carga de trabalho adotada na estaca (de 80 cm de diâmetro e 20 metros de profundidade).

O projeto apontava uma carga de trabalho de 250 toneladas, enquanto o necessário deveria ser 467 toneladas, ou seja, as estacas deveriam ser mais profundas, ou ter um diâmetro maior. Um aumento no número de estacas também resolveria o problema, conforme o parecer técnico. 

Já a Consol, responsável pelo projeto, contesta o parecer da Cowan. “Por meio de informações preliminares, é possível observar divergências entre o projeto e a construção da obra, portanto (a Consol) aguarda o início da perícia oficial para a identificação dos reais fatores que contribuíram para o acidente”, disse, por meio de nota.

A empresa destaca ainda que não acompanhou a execução das obras, nem teve acesso a documentos de controle. “Não pudemos acompanhar toda a obra porque o nosso contrato de revisão com a prefeitura foi encerrado em abril de 2013”, alegou o diretor-presidente da Consol, Maurício de Lana.

Saiba mais

- Outros: A Cowan executou 11 viadutos nas avenidas Pedro I e Vilarinho. Segundo a empresa, os outros dez foram executados com blocos quadrados, estacas laterais e muito mais aço. Está sendo feito o monitoramento topográfico diário das estruturas, e um laudo de todos eles será entregue nos próximos dias.

- Declaração: Essa foi a primeira vez que a Cowan se pronunciou sobre o acidente sem ser por meio de nota ou via assessoria de imprensa. 

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