'Criminalizam minha filha de forma absurda', diz pai de Sininho

Pai diz que Sininho está sendo “demonizada” e é tratada como se fosse “monstro”

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

A ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, 28 anos, conhecida como Sininho, foi detida em Porto Alegre antes da final da Copa
Fernando Frazão/ Agência Brasil
A ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, 28 anos, conhecida como Sininho, foi detida em Porto Alegre antes da final da Copa

O bancário Antonio Sanzi, pai da ativista Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, disse que sua filha está sofrendo um processo de “demonização”. “Estão criminalizando-a de forma absurda”, afirmou. Ele criticou o todo o processo judicial envolvendo Sininho, especialmente o prazo de duas horas que o Ministério Público levou para oferecer denúncia contra ela e mais 22 ativistas após ter recebido o inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro, no último dia 18 – um calhamaço de 2.100 páginas. “O nome disso é fraude processual, porque é humanamente impossível que uma pessoa leia mais de 2.100 páginas em duas horas”, dispara.

Bancário aposentado e um dos fundadores do PT do Rio Grande do Sul, ele afirmou a O TEMPO que um novo pedido de habeas corpus está sendo analisado e há expectativa que Elisa seja libertada ainda nesta semana. “Ou isso, ou foi instaurado oficialmente um Estado fascista no Brasil”, declarou.

Sanzi negou a participação da filha em ações violentas nas manifestações e disse que ela está sendo perseguida por fatores políticos. “A única forma que tinham de transformá-la nesse monstro em que a estão transformando era associá-la aos black blocs”.

Sobre uma gravação em que Elisa aparece dizendo ao padrasto que teria medo de vir para Minas Gerais, temendo ser indiciada por formação de quadrilha, ele afirma que “seria uma ingenuidade e uma estupidez muito grande falar por telefone uma coisa dessas, que a incriminaria. O que ela deve ter manifestado para o Ronaldo (padrasto) é que ela se sentia mais segura aqui em Porto Alegre, onde eu moro, onde estão as avós”, disse.

Na conversa revelada pela Polícia Civil do Rio, ela diz ao padrasto: “Eu não tenho outro lugar para ir. Eu não posso ir pra Minas Gerais, porque lá está pegando fogo. Nesta terça queimaram não sei quantos carros de polícia”, disse. O padrasto diz: “Aqui também, Porto Alegre também quebraram vitrine”. E Sininho prossegue: “Tá, pai, mas é completamente diferente. Minas Gerais que é o lugar onde eu tenho para ficar, que eu tenho amigos. A FiP aqui tem conexão lá. Eu não posso ficar em lugares que eles possam f... ainda mais com esse negócio de formação de quadrilha”. Nesta terça, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que está investigando a relação da ativista com atos violentos no Estado e que, por enquanto, é prematuro tirar qualquer conclusão.

Entenda

No dia 12 de julho, Elisa Quadros Pinto Sanzi, 28, a Sininho, foi detida em Porto Alegre. Ao todo, 19 pessoas foram presas suspeitas de atos de vandalismo em protestos iniciados em 2013.

Na operação, foram apreendidos máscaras de proteção contra gás lacrimogêneo, explosivos e arma de fogo, além de computadores e celulares.

A ação policial aconteceu na véspera da final da Copa do Mundo, entre Alemanha e Argentina. Objetivo era impedir uma manifestação.

No dia 18, a Justiça do Rio aceitou denúncia do Ministério Público (MP-RJ) e decretou a prisão preventiva de 23 pessoas por associação criminosa armada (formação de quadrilha) e mandou expedir mandados de prisão preventiva contra eles.

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