Cientistas descobrem mais de 80 genes ligados à esquizofrenia

Pesquisa feita por 35 países pode abrir portas para novos tratamentos

iG Minas Gerais | Da redação |

No maior estudo já realizado sobre esquizofrenia, um grupo de pesquisadores de 35 países descobriu 80 novos genes que podem estar relacionados ao risco de desenvolvimento do transtorno. A pesquisa, publicada na revista especializada “Nature”, sugere que a esquizofrenia pode ter causas biológicas, uma conclusão que abre a possibilidade de novos tratamentos.  

Os números da pesquisa são impressionantes. Em cooperação global, o grupo analisou a composição genética de mais de 37 mil pacientes com a síndrome, comparando-as com os códigos genéticos de outras 110 mil pessoas sem a doença. Após cruzamento de dados, descobriu-se que mais de cem genes estariam ligados à esquizofrenia, sendo 83 deles ainda desconhecidos pela ciência.

Muitos deles têm papéis fundamentais na retransmissão de mensagens químicas que envolvem o cérebro. Já outros são conhecidos por estarem envolvidos no sistema imunológico, afetando o arsenal natural do organismo contra a doença.

De acordo com os especialistas, o trabalho pode renovar o conhecimento da ciência sobre esquizofrenia, que não tem novas descobertas de grande impacto desde a década de 70.

De acordo com uma reportagem no site da Universidade de Harvard, a esquizofrenia afeta uma em cada cem pessoas no mundo, segundo estimativas. O problema, caracterizado por uma desordem psiquiátrica, faz com que seus portadores tenham alucinações e um colapso no processo de pensamento.

Em uma época em que os avanços com a genética estão cada vez maiores, pesquisas focam os genes que envolvem a esquizofrenia, devido às questões hereditárias da doença, afirmou a reportagem.

Estudos anteriores revelaram a complexidade da doença (até mesmo com evidências de que é causada por efeitos combinados de muitos genes). O novo estudo confirma essas relações e expande a compreensão da genética básica acerca da esquizofrenia.

“Por muitos anos foi difícil desenvolver novas linhas de tratamento para a esquizofrenia. Fomos prejudicados pela pouca compreensão da biologia da doença”, disse à rede BBC o professor da Universidade de Cardiff Michael O’Donovan.

Flash

Esperança. Para Gerome Breen, do King’s College de Londres, o estabelecimento de novas relações entre genética e esquizofrenia é “revolucionário”.

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