Cícero Coimbra

Neurologista Professor da universidade federal de são Paulo (unifesp)

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Por que existe uma confusão sobre o que é a vitamina D?  

Porque, na verdade, essa substância é um potente hormônio esteroide imunorregulador. Só depois da década de 30 se percebeu que tinha a mesma estrutura de hormônios como a testosterona e o estrogênio, mas como o nome (vitamina D) já estava consagrado pelo uso ao longo de décadas se decidiu manter.

Qual é a função desse hormônio?

Bloquear reações anômalas. Com baixos níveis desse hormônio, o organismo fica desregulado e perde potência no combate a infecções e passa a fazer coisas que não deveria.

Não é possível obter essa vitamina por meio da alimentação?

Na alimentação, a quantidade de vitamina D é irrisória. De fato, a esclerose (caso associado à vitamina) é um problema endocrinológico. Muitos nutricionistas ficam dando palpite em coisas que não conhecem, mas existe um mar de publicações sobre os efeitos no organismo.

Por que a vitamina D como tratamento para a esclerose ainda não foi aprovado?

Nenhum tratamento no momento em que surgiu foi considerado aprovado ou consenso e, via de regra, costuma levar décadas para que seja incorporado à prática médica. O que dizem muitas pessoas que questionam e não aceitam que a vitamina D seja a causa da doença é que uma pessoa que tem esclerose vai acumulando sequelas e dificuldades motoras que geram mais dificuldade para andar, com isso, a pessoa costuma ficar mais tempo dentro de casa, se expondo menos ao sol e, por isso, estaria associada a deficiência da vitamina com a esclerose. Porém, a vitamina D preenche todos os nove critérios de Bradford Hill (propostos pelo epidemiologista e estatístico britânico que buscam características sobre doenças).

O uso de vitamina D contra esclerose pode ser feito?

Dizer que é uma atitude criminosa da parte de qualquer médico ao executar um tratamento não aprovado e experimental demonstra total falta de conhecimento. A Declaração de Helsinque constitui de 39 itens para proteger os pacientes de qualquer tipo de tratamento experimental de lesões provocados por eles. Ela faz parte legislação brasileira e está aprovada pelo Conselho Federal de Medicina desde 1983. 

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